O trovão

 

 

*Pádua Marques

 

Passei o final de semana todo ouvindo conversa sobre medo de trovão. Eu nem era pra ter me ocupado com isso, com essa perda de tempo, mas aquele ocorrido na noite da quinta-feira passada deixou a Parnaíba com cara de gente que perde o ônibus das seis no meio da estrada da Pedra do Sal, quando muita gente já estava batendo as pestanas feito dono de ponto de venda do mercado da Caramuru com a porta de enrolar.

Eu duvido, quero que minha cara vire pras costas, se não teve um filho de Deus aqui na Parnaíba e vizinhança, que não ficou com medo daquele trovão. Não foi um trovão. Foi o trovão. Foi tão forte, mas tão forte que lá na avenida São Sebastião um colega  meu se enrolou, ficou pendurado na varanda da rede, uma rede que havia comprado em Pedro II pra tirar um cochilo. Me disse que agora vai colocar no lugar das correntes, cordas. Tem medo de levar um choque elétrico.

E falando em choque elétrico, um velho lá pros lados de Bom Princípio, desses que guardam dinheiro pra gastar não se sabe com o quê, estava contando as moedas de cinquenta centavos e de um real, no escuro, justo na hora do trovão. Com o papoco a burra rasgou e as moedas se espalharam no quarto fazendo uma zoada tremenda. Aqui na vizinha os meninos pequenos se acordaram tudo mijados. Teve gente se acordando catando sem sucesso um toco de vela.

Estava quar dormindo e pouco tomei conhecimento do ocorrido. Tano eu acordado sei lá pra que lado eu havera de ter corrido! Seu Ribamar, do Pindorama, me disse que o trovão pegou ele justo tirando a dentadura pra dormir. Na hora ela caiu embaixo da cama, rolou e ele e os cachorros só encontraram no outro dia lá embaixo de uma touceira de pé de banana. Nem queira saber o que foi aquilo. Teve panela de pressão que disparou sem nada dentro lá no bairro de Fátima.

Lá pros lados do Catanduvas, onde fica o aeroporto de final de semana, uma dona de casa havia deitado uma galinha com quinze ovos e perto de tirar os pintos. Depois do trovão ela já está contando com apenas uns três porque os doze ficaram gouros. Na avenida São Sebastião, pra onde vai quem gosta de curtir a noite, na hora do trovão teve gente que se engasgou com pizza. Minha cunhada achou até que já estava morrendo.

Dona Genésia, devota de São Benedito, estava naquele cochilo bom debulhando as contas do terço, batendo os beiços e na hora, o trovão foi tão forte que quando ela olhou procurando pelo santo ele estava aqui embaixo segurando no chambre dela, branco de medo e tremendo os beiços. O menino Jesus, que São Benedito leva no colo, foi encontrado debaixo do colchão. Brincadeira não.

Agora imagine se este trovão tivesse sido assim pela manhã com aquele monte de gente se esfregando dentro do Bradesco, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil, no Detran?! Havera de ter caído o sistema e até hoje não ter voltado! Igual essas fake news, do Bolsonaro. Foi coisa de daqui a uns cinquenta anos ainda se contar as façanhas. Se ocorrer outro trovão daqueles, a Parnaíba se esbandaia!

  • *Pádua Marques é jornalista e escritor, colabora com o Blogdobsilva. 

Complexo de vira-lata

Por Arthur Cunha – especial para o blog

O jornalista Kennedy Alencar chamou de “complexo de vira-lata” a postura de subserviência do presidente Jair Bolsonaro em relação ao equivalente norte-americano, Donald Trump – a expressão foi cunhada por Nelson Rodrigues para designar a posição de inferioridade que o próprio brasileiro se submete. Acertou na mosca! Mais uma vez Bolsonaro deu mostras de que não faz ideia do tamanho do cargo que exerce. Sua viagem aos Estados Unidos foi outra prova cabal disso.

A tour na terra do Tio Sam começou com Bolsonaro tecendo loas a Olavo de Carvalho, guru-mor da Direita brasileira e do próprio bolsonarismo (se é que podemos dizer que existe um), e a Steve Bannon, estrategista-chefe da Casa Branca demitido por Trump ainda em 2017. Nunca antes na história deste país um “pensador” e um “agente do caos” foram tão venerados por um presidente da República. Em seguida, tivemos Bolsonaro e sua comitiva fazendo uma visita escondida a uma agência de espionagem. Sim, é isso que a famosa CIA é no final das contas. Esqueça os filmes, eles foram responsáveis por golpes de estado e torturas.

Depois, o nosso nobre presidente assinou um decreto autorizando turistas norte-americanos e de outros países a entrarem sem visto no Brasil. Eu te pergunto: Trump fez o mesmo? Não preciso nem responder… Mas tem quem argumente que o presidente de lá foi bonzinho ao defender a entrada do Brasil na OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Só que para isso nós teremos de abrir mão de participar da lista de países com tratamento diferenciado na Organização Mundial de Comércio.

Por fim, “coroando” a visita, tivemos o encontro entre os dois chefes de Estado das maiores democracias das Américas. A cara do nosso presidente na foto acima diz tudo. Bolsonaro se comportou como um deslumbrado, um borra-botas. Deixou claro que será um capacho de Trump na política externa do Brasil. E voltou para casa envaidecido como muito pouca coisa na bagagem em troca. Oh, boy!

“Carne e unha…” – Essa idolatria toda de Bolsonaro por Trump tem uma explicação até psicológica. Os dois se parecem muito. São frutos de uma guinada à direita no cenário político mundial, sem, necessariamente, terem sido ícones desse pensamento. São rasos, seus governos estão perdidos e eles nutrem uma necessidade quase patológica pela polêmica. Na verdade, se alimentam de brigas – foi assim que construíram as suas respectivas eleições, e dessa forma conduzem as suas presidências.

“… almas gêmeas” – Ambos vivem às turras com a Imprensa, a quem tratam como “inimigos da nação”. Sua comunicação tem como base as redes sociais, notadamente o Twitter. Aliás, quanta besteira os dois presidentes falam no microblog! Transpondo para o “pernambuquês”, Bolsonaro e Trump são dois papangus que deram certo. Best Friends Forever, a dupla BolsoTrump segue à frente das duas maiores potências das Américas; mais unidos do que nunca. “Carne e unha, almas gêmeas”, como diria Fábio Júnior.

Venezuela – Entre as baboseiras proferidas por Jair Bolsonaro nas vezes em que usou o microfone durante sua viagem aos Estados Unidos, estiveram presentes temas como o não à ideologia de gênero e a luta contra o avanço do socialismo. Se fosse só isso… O problema é que Bolsonaro sinalizou que pode apoiar os Estados Unidos, inclusive com homens, em uma eventual intervenção na Venezuela. Em janeiro, o próprio Bolsonaro havia descartado essa possibilidade.

Senador ataca ministro do Supremo

Por:Zózimo Tavares

Brasília está em polvorosa. É que o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) deixou o Senado e o Supremo Tribunal Federal em uma saia justa.

Em entrevista a uma emissora de rádio, no domingo, o senador chamou o ministro Gilmar Mendes, do STF, de “bandido, corrupto e canalha”, acusando-o de vender sentença e de ser sócio de réus da Lava-Jato.

As declarações do parlamentar, em tom inflamado, estão correndo as redes sociais. Elas assustariam a qualquer um, se o Brasil não estivesse vivendo em tempos de cólera.

Segundo o senador, o ministro do STF tem um patrimônio de R$ 20 milhões. Ele indaga e responde ao mesmo tempo: “De onde você tirou esse patrimônio? Da Mega Sena? De herança, de quem você tirou, Gilmar Mendes? Foram das sentenças que você vendeu, seu canalha!”, dispara o parlamentar.

CPI da Lava Toga

Kajuru avisa que, sendo relator da CPI da Lava Toga, presidente ou apenas membro, o “primeiro alvo” da Comissão será o ministro Gilmar Mendes. “Depois vamos nos Lewandowskis da vida”, completou.

O pedido de instalação da CPI das Cortes Superiores, também chamada de Lava Toga, foi assinado por 29 Senadores. Eles são de 19 Estados e filiados a 11 partidos.

Mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), ainda não decidiu se vai instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito.

O senador Kajuru espalhou brasa porque as acusações que fez contra o ministro são gravíssimas. Ele está protegido pela imunidade parlamentar, mas certamente será chamado a apresentar provas, independente da instalação da CPI.

Gilmar aciona Supremo

Ontem, o ministro Gilmar Mendes pediu ao presidente do STF, Dias Toffoli, para tomar as providências cabíveis sobre as denúncias do senador.

O pedido foi feito na esteira de uma forte reação do STF contra ataques feitos aos ministros da Corte, inclusive com a abertura de um inquérito por Toffoli para apurar ameaças e notícias falsas que ofendam integrantes do Tribunal.

As relações entre o Senado e o Supremo deverão ficar tensas nos próximos dias, seja por conta das pressões pela instalação da CPI da Lava Toga, seja pelos ataques do senador Kajuru ao ministro Gilmar Mendes.

Fim do Jornal do Brasil impresso provoca demissões de jornalistas

Depois de oito anos desde que circulou pela última vez sob gestão do empresário Nelson Tanure, o Jornal do Brasil voltou às bancas — sobretudo as do Rio de Janeiro — em 25 de fevereiro de 2018. Um ano depois, não há muito o que se comemorar com o projeto. Nesta semana, em meio a movimento grevista por parte da redação, o “novo” JB foi impresso de modo derradeiro. Ação que fez com que os responsáveis pela operação demitissem mais de 20 jornalistas. Houve baixas também em outros setores. Com o fim da edição em papel, a marca jornalística volta a se concentrar no online. As informações são de Anderson Scardoelli no Comunique-se.

Em meio às informações que já davam conta do encerramento da versão impressa, o empresário Omar Catito Peres, que acertou o arrendamento do título em fevereiro de 2017, usou o seu perfil no Facebook para confirmar. O executivo foi enfático ao garantir: o mercado da mídia em papel não tem futuro no país. “O ser humano não quer mais se informar por jornais impressos”, cravou. “O jornal impresso não tem mais a menor importância”, lamentou o dono da marca JB. O discurso, porém, foi bem diferente do de quando relançou o diário no ano passado. Na ocasião, ele almejava o futuro a longo prazo do meio. “Ainda tem mercado relevante”, apostou à época.

No longo texto (íntegra no fim da reportagem) em que publicou na rede social, Omar Catito Peres ignorou o fato de ter demitido dezenas de jornalistas. Preferiu evidenciar, de certo modo, que voltar a fazer o Jornal do Brasil rodar na gráfica careceu de estruturado plano de negócios. O executivo dá a entender, por exemplo, que na base do achismo acreditou que o “novo” JB venderia em média 8 mil exemplares por dia. Isso diante de um cenário em que marcas como O Globo, Estadão e Folha já protagonizavam passaralhos por causa da queda da comercialização em banca. Tirando o sucesso da reestreia, o número sempre ficou abaixo da expectativa, informou.

“Essa premissa, vender 8 mil jornais/dia , nunca se comprovou. No dia do lançamento, vendemos 25 mil exemplares”, começou a relatar. O presidente do JB indicou, ainda, que o fim da versão impressa do Jornal do Brasil só não ocorreu antes por causa da veiculação de propagandas vindas de órgãos públicos. “Nos primeiros seis meses, conseguimos quase equilibrar o orçamento por conta de algumas publicidades de governos”, pontuou. “Mas daí em diante, com o bloqueio judicial equivalente a três folhas de pagamento e com venda de 3 mil exemplares/dia, o prejuízo se tornava insustentável e o leitor, ‘apaixonado’ pelo JB e que pedia um jornal independente’, continuava a ler e se informar gratuitamente pela internet”, lamentou o responsável-mor pela volta da marca às bancas.

Demissões e calotes em jornalistas 
O fim do Jornal do Brasil impresso acontece em meio a problemas que os jornalistas vinham encarando desde o fim do ano passado. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, funcionários sofrem com o não pagamento de direitos trabalhistas, além de ficarem com atrasos salariais de até três meses. A situação vinha provocando paralisações. Na última semana de fevereiro, parte da redação aderiu ao movimento grevista. Episódio que se repetiu nesta terça-feira, 13, dois dias antes da confirmação do encerramento do título em papel. Por 24 horas, colaboradores interromperam suas atividades como forma de lutar a fim de receber o que lhes eram de direito.

A greve, contudo, não fez com que os gestores do Jornal do Brasil arcassem de bate e pronto com as reivindicações chanceladas pela entidade da classe de jornalistas. Pelo contrário. Sem a versão impressa, a equipe do JB foi reduzida sumariamente. Informações apuradas pela reportagem do Portal Comunique-se apontam que mais de 20 comunicadores foram demitidos. Número que não é comentado de forma oficial por Omar Catito Peres. Sem salários e benefícios empregatícios em dia, alguns dos demitidos podem levar o caso para o poder Judiciário. Essa é, inclusive, a orientação por parte do sindicato. “Os trabalhadores devem dar ‘baixa’ na carteira e entrar na Justiça para receber as rescisões e os atrasados a que cada um tem direito”, sugere a instituição.

Mesmo para quem permanece no Jornal do Brasil, a situação não é das melhores. Um jornalista que segue na empresa lamenta o clima. “Esta semana, vivemos na redação momentos muito difíceis”, comenta o comunicador, que por razões de segurança não terá o nome revelado. “[Na quinta], o clima foi péssimo e ver os colegas se despedindo e se retirando foi uma cena muito triste”, prossegue. “É lamentável ver bons jornalistas saindo da redação sem o brilho no olhar, esvaziando seus espaços, carregando seus pertences, quase que em fila. Sempre defendi a união entre os jornalistas, mas fico impressionado como isso parece cada vez mais distante”, complementa o colaborador, sugerindo uma autocrítica dos colegas de imprensa.

Futuro online para o Jornal do Brasil 
Com redação reduzida, o “novo” JB seguirá ativo na internet. Sob comando de Gilberto Menezes Côrtes, vice-presidente editorial, o veículo de comunicação foca de vez no online. Para isso, o portal pode passar por reformulações ao decorrer dos próximos meses. Deve-se investir principalmente em colunistas renomados. Omar Catito Peres salienta que buscará nomes gente conhecida. “Lá estará uma maravilhosa turma de jovens jornalistas, comandada por Gilberto Menezes Côrtes e nossos principais colunistas. Vamos, a partir de hoje, convidar mais cronistas de nome nacional para participar de nosso JB que continua vivo”, promete o executivo que, em suma, é o grande responsável pelo retorno e encerramento do “novo” Jornal do Brasil.

Presidente fala sobre o JB daqui para frente 
Abaixo, o Portal Comunique-se reproduz – com eventuais erros gramaticais, ortográficos e pontuação – a íntegra do texto publicado originalmente no perfil de Omar Catito Peres no Facebook.

O JORNAL DO BRASIL ACABOU ?

A RESPOSTA É NÃO !

Quando tomei a iniciativa de trazer de volta às bancas o JB impresso, vários amigos foram contundentes em dizer que eu estava na “contramão da história”, ao relançar um produto que estava “em coma” no mundo todo .

Sabia, claro , dessa realidade. Tanto que escrevi há 15 dias, artigo comemorando um ano do JB nas bancas, onde faço um pequena analise sobre o presente e o futuro da mídia brasileira e, afirmo que dentro de muito pouco tempo os impressos vão acabar, Aqui e em todo o mundo .

O projeto, obviamente, tinha o olho no futuro, ou seja, investir pesado no JB online, com base no impresso e, com o tempo, migrar definitivamente para o jornalismo eletrônico.

Em meu plano de negócios, entendia que o impresso deveria ser nossa principal ferramenta para esse processo de transição. Pessoalmente acreditava que o impresso duraria uns 3 anos até a mudança definitiva para a web. Durou, exatamente, um ano .

Mesmo com amigos dizendo que era uma “loucura” minha iniciativa, diante desse quadro de mercado caótico para os impressos , fui em frente e apostei em uma única possibilidade , a qual , todos os que embarcaram comigo no projeto, também acreditavam : não era o lançamento de um jornal mas, sim, do JORNAL DO BRASIL, que nos traria um número suficiente de leitores para bancar, independente de publicidade (que “não existe mais” para jornais), o JB impresso.

Para atingirmos o ponto de equilíbrio entre receitas e despesas , era necessário a venda de 8 mil exemplares/dia ! Eu pensei e, todos pensaram a mesma coisa: MOLEZA !

Na redação, a aposta mais pessimista era de que venderíamos 10 mil exemplares/dia. Esse era o clima de quem participava da equipe de relançamento.

Fui em frente e relancei o jornal que marcou o Rio e o Brasil. Tínhamos certeza, GIlberto Menezes Cortes, Tereza Cruvinel, Hildegard Angel , Renato Mauricio Prado, Octavio Costa, Rene Garcia Jr., Jan Theophilo e diversos outros “coleguinhas” que, com dedicação , muito suor e amor ao jornal, acreditaram que faríamos recursos suficientes com as vendas em bancas e assinaturas, cujo faturamento nos permitiria não só pagar os custos operacionais mas, também, crescer.

Mas essa premissa, vender 8 mil jornais/dia , NUNCA se comprovou. No dia do lançamento, vendemos 25 mil exemplares.

E, porque isso aconteceu ? POR QUE O SER HUMANO NÃO QUER MAIS SE INFORMAR POR JORNAIS IMPRESSOS ! É simples assim.

Prova disso, é que TODOS os jornais brasileiros somados, vendem , hoje, nos dias da semana, cerca de 500 mil exemplares/dia !!! Me refiro à Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Zero Hora (que já não imprime aos domingos), e outros de menor expressão.

Repito : todos eles, juntos, vendem, durante a semana, cerca de um pouco mais de 500 mil exemplares de jornais/dia, sendo que 90% para assinantes e 10% em bancas.

Pegue esses 500 mil exemplares e divida por 220 milhões de brasileiros. Resultado: o Brasil apresenta um índice PERTO DE ZERO LEITOR de jornal impresso . Um dos piores índices do mundo.

Em outras palavras, o jornal impresso no Brasil NÃO TEM MAIS A MENOR IMPORTANCIA e todos , sem exceção, continuam caindo a tiragem e perdendo leitores.

Mas em nosso caso, acreditávamos que seríamos um sucesso por sermos o JORNAL DO BRASIL, sinônimo da prática de um jornalismo independente , corajoso e combativo, marcas do JB.

E fizemos exatamente isso, dando liberdade absoluta aos editores para escrever e relatar o que era importante para a sociedade. E, neste contexto, publicamos importantes matérias, sendo a mais marcante , sobre o oligopólio dos bancos no Brasil , dentre muitos outras.

Mesmo assim, as vendas não se comprovavam. Nada fazia o leitor que era contra a “mídia hegemônica e que adora e pedia um jornal independente”, comprar e/ou assinar o JB.

Fora isso, ainda tivemos bloqueios judiciais no valor de R$ 600 mil (quase três folhas de pagamento !), por ações trabalhistas , algumas , acreditem, do século passado ! Evidentemente, nenhuma ação de nossa responsabilidade. Esses bloqueios contribuíram, ainda mais, para dificultar a existência do impresso.

Nos primeiros seis meses, conseguimos quase equilibrar o orçamento por conta de algumas publicidades de governos. Mas daí em diante, com o bloqueio judicial equivalente a três folhas de pagamento e com venda de 3 mil exemplares/dia, o prejuízo se tornava insustentável e o leitor “apaixonado pelo JB e que pedia um jornal independente”, continuava a ler e se informar gratuitamente pela internet.

Prova disso é que nosso site deu um salto explosivo de audiência, alcançando 3 milhões de visitantes por mês. Inacreditável !

Se de um lado o site crescia com milhões de visitantes, o impresso morria…, por falta de comprador. Foi e, é, simples assim.

Em resumo, só antecipei o que era previsto : acabar com o JB impresso e continuar investindo no JORNAL DO BRASIL online, cujo site passará por profundas modificações em seu desenho .

Mas lá estará uma maravilhosa turma de jovens jornalistas, comandado por Gilberto Menezes Cortes e nossos principais colunistas.

Vamos, a partir de hoje, convidar mais cronistas de nome nacional para participar de nosso JB que continua vivo.

Estou triste, claro, por ter sido obrigado a antecipar o fim do JB impresso.

Mas o motivo foi um só: O LEITOR QUE NÃO QUER MAIS LER JORNAL IMPRESSO.

Atendemos à essa demanda.

VIVA O JORNAL DO BRASIL, VIVO E PARA SEMPRE.

Globo gasta R$ 8,3 bilhões para fazer TV, mas ganha dinheiro mesmo é com os juros

Daniel Castro
UOL Notícias

Pelo segundo ano consecutivo, a Globo teve em 2018 resultado operacional negativo. Isso quer dizer que os custos de suas novelas, telejornais e demais operações foram superiores ao dinheiro ganho com a venda de publicidade, sua principal fonte de receita. O que salvou a emissora do prejuízo foram os juros de suas aplicações.

Segundo balanço oficial divulgado a investidores ontem (12), a TV Globo fechou 2018 com um resultado operacional líquido de R$ 530 milhões negativos, seis vezes mais do que os R$ 83,4 milhões negativos de 2017. Ou seja, a diferença entre o faturado e o gasto foi de quase meio bilhão de reais no ano passado.

COLCHÃO FINANCEIRO – A Globo só teve lucro graças ao seu “colchão financeiro” e ao seu patrimônio. O dinheiro investido em aplicações financeiras lhe rendeu uma receita de R$ 930 milhões. Assim, graças aos ganhos financeiros e à equivalência patrimonial, a emissora fechou o ano com um lucro líquido de R$ 1,204 bilhão, uma queda de 35% em relação ao R$ 1,851 bilhão de 2017.

As receitas de quase R$ 1 bilhão com aplicações bancárias em 2018 são consequência de uma decisão tomada em 2017, quando o Grupo Globo decidiu reduzir a distribuição de dividendos (lucros) aos sócios. Naquele ano, foram distribuídos apenas R$ 116 milhões, contra R$ 2,5 bilhões em 2016. No ano passado, os sócios da Globo não receberam nada. Esse dinheiro está fazendo a diferença no balanço.

PUBLICIDADE – Apesar da política de redução de gastos, a Globo gastou R$ 695 milhões a mais no ano passado com a produção de teledramaturgia, shows, noticiários e venda de publicidade. Foram R$ 8,353 bilhões, mais R$ 2,252 bilhões de despesas operacionais (administração, comercialização). Contribuíram para esse aumento a maior produção de séries, agora também para o streaming, e os gastos com a Copa da Rússia.

Por outro lado, as vendas de publicidade nos intervalos comerciais voltaram a crescer. Totalizaram R$ 10,060 bilhões no ano passado, a primeira alta desde 2015. Em 2014, melhor ano da década para a Globo, o faturamento foi de R$ 11,890 bilhões. De lá para cá, caiu até atingir R$ 9,779 bilhões em 2017. No ano passado, portanto, cresceu 2,9%.

Os dados acima também incluem as operações de internet do grupo, mas são predominantemente da TV. O balanço inclui informações das operações no mercado musical e com TV por assinatura.

EM QUEDA – Quando considerados todos esses negócios (mas sem veículos impressos), o faturamento do grupo (consolidado) foi de R$ R$ 14,679 bilhões em 2018, R$ 123 milhões a menos do que em 2017. A pequena queda é resultado da retração que o mercado de TV por assinatura vem sofrendo desde 2014, com a perda de mais de 2 milhões de assinantes, 550 mil deles só no ano passado, o que impactou nos resultados da Globosat.

Depois da TV Globo, a Globosat é a maior empresa do grupo. Seu conjunto de canais responde por uma receita de aproximadamente R$ 4,5 bilhões e por mais da metade do lucro do grupo.

Mesmo com Lava Jato, velha política predomina

Por:Fenelon Rocha

Na semana que passou, a Lava Jato sofreu uma dura derrota – a mais expressiva em seus cinco anos de atividade, completados hoje: viu o Supremo Tribunal Federal decidir, em votação apertada, que os crimes de caixa 2 mesmo associados a outros delitos, podem ser julgados pela Justiça Eleitoral. O entendimento da Java Jato é que o caixa 2 é só a ponto de um enorme iceberg chamado corrupção, e que se alimenta da troca do apoio na campanha com as “ajudas” no mandato do eleito.

Ao relegar à condição de simples delito eleitoral, o STF dá a possibilidade de punições mais brandas, onde se esfuma a perspectiva de prisão do envolvido. Os políticos (e não só os “das antigas”) comemoraram.

Esse severo golpe contra a operação ganha contornos mais nítidos com os dados revelados neste final de semana por pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas: a realidade de que as traquinagens nas licitações – caminho para a corrupção – não mudou em quase nada após a Lava Jato. “Posso garantir que, para a imensa maioria das licitações, nada mudou”, declarou a O Globo o pesquisador Carlos Ari Sundfeld, da FGV.

Dito de outra forma: a nova política, que era esperada depois de tanta falcatrua revelada, segue firme e forte. E dando as cartas, sobretudo nos estados e municípios.

Os estudiosos mostram que a Lava Jato conseguiu produzir resultados importantes com a Lei das Estatais, apontada como avanço significativo no combate à corrupção. É um reflexo direto do “Petrolão”, o esquema que sugou dezenas de bilhões de Reais da Petrobrás, que é o centro das revelações da Lava Jato. Mas, fora das estatais, a realidade é quase a mesma de sempre.

Na linguagem popular: segue a prática das licitações com cartas marcadas e troca de favores entre políticos e empresas prestadoras de serviços ao Estado. Ou seja: a velha política é a dona do pedaço. Exatamente como denuncia a Lava Jato há cinco anos.
 

Renovação é de faz-de-conta

Em reportagem especial do final e Semana, o jornal O Globo mostra a presença dos chamados políticos profissionais nas Assembleias Legislativas, Brasil afora. Os piauienses não estranham essa realidade. Aqui a renovação é pequena, e quando acontece é por herdeiros ou políticos de larga trajetória. Entre os “novatos”, temos ex-prefeitos de dois mandatos (Francisco Costa), filho de prefeito (Oliveira Neto) ou primeira-dama de quarto mandato (Lucy Silveira). Confira:

• 9 mandatos: Fernando Monteiro e Themístocles Filho.
• 8 mandatos: Wilson Brandão.
• 5 mandatos: Hélio Isaias, João Madison e Nerinho.
• 4 mandatos: Fábio Novo, Flora Izabel, Gustavo Neiva e Marden Menezes.
• 3 mandatos: Evaldo Gomes e Flávio Nogueira Junior.
• 2 mandatos: Dr. Hélio, Fábio Xavier, Firmino Paulo, Georgiano Neto, Janaína Marques, Júlio Arcoverde, Limma, Pablo Santos,
   Pastor Gessivaldo, Severo Eulálio e Zé Santana.
• 1 mandato: Cel. Carlos Augusto, Dr. Francisco Costa, Franzé Silva, Henrique Pires, Lucy Silveira, Oliveira Neto e Teresa Brito

A importância de inovar nas empresas

Por: Janguiê Diniz

O mundo tem mudado cada vez mais rápido. Acompanhar essas tendências já não é mais opção, é questão de sobrevivência. A lista das empresas que se recusaram a inovar para acompanhar o mercado e acabaram declarando falência não é pequena e desconhecida. Blockbuster, Kodak, Xerox, Yahoo… todos esses nomes fizeram história no mercado mundial e acabaram sendo esquecidas por não entender a necessidade de inovar.

O primeiro passo para entender a inovação nas empresas é não pensar que ela está restrita apenas à uma nova gestão empresarial criativa. Mas, que inovar também está ligado a ofertar serviços diferenciados, melhorar a produção, reinventar a distribuição, proceder a transformação digital em uma empresa já existente. Inovar é avançar com os negócios, é reinventar os processos, é identificar oportunidades, e é, inclusive, ganhar mais, gastando menos.

É um grave erro achar que apenas grandes empresas conseguem inovar. A inovação precisa ser características tanto de pequenos quanto de grandes negócios. Empresas inovadoras pensam de dentro para  fora, criando um capital intelectual, conversando com seus funcionários e enxergando problemas como oportunidades.

Podemos entender o processo de inovação de duas maneiras: emergente e disruptivo. Entendê-los é fácil. A inovação disruptiva está diretamente ligada a fazer algo novo, do zero. É quando um produto, processo ou negócio nunca visto antes é criado e colocado em prática. Já a inovação emergente é aquela que traz a proposta e garantia de melhorias de algo que já existe.

É importante ressaltar que o empreendedor não deve pensar em inovação como um custo para seu negócio. Não importa se a inovação é básica ou radical, o processo gera impactos e muitos resultados positivos além do lucro, propriamente dito. Inovar traz, acima de qualquer coisa, visibilidade para o negócio.

Inovação virou item imprescindível que há rankings de avaliação anuais para identificar as empresas mais inovadoras, como o Ranking Fast Company que reúne as 50 empresas mais inovadoras e, em 2017, elegeu a Amazon como a mais inovadora – a empresa é focada em buscar melhorias na experiência dos clientes nas compras.

Inovar é, acima de qualquer coisa, questionar. A melhor forma de iniciar o processo de inovação é colocar-se no lugar do seu cliente e perguntar o que pode ser feito para melhorar o produto ou serviço oferecido. É desafiar-se a fazer diferente e melhor. É buscar sempre o novo e saber que não há fórmula certa para o sucesso, mas que adicionando-se criatividade com ação  ao processo empreendedor, a inovação será uma constante.

Embromação: “A que vem o Consórcio Nordeste?”

Por:Zózimo Tavares

A criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste – ou simplesmente Consórcio Nordeste – está sendo anunciada como a novidade do próximo encontro dos governadores da região, a ser realizado na quinta-feira, em São Luís.

Segundo o governador Wellington Dias, trata-se de uma inciativa para firmar parcerias, otimizar resultados e economizar recursos financeiros.

Conforme seus idealizadores, com o consócio poderão ser feitas, por exemplo, compras compartilhadas entre os Estados, com redução dos custos dos produtos e dos serviços.

Também haverá parcerias em diversas áreas, como desenvolvimento econômico e social, infraestrutura, tecnologia e inovação, segurança pública, administração prisional e proteção do meio ambiente.

Como se diz no interior, a prosa dos governadores sobre este assunto está muito bonita. Mas é preciso conhecer melhor o tal consórcio para saber até onde ele vai. E se vai mesmo.

Palanque

Conhecendo, porém, a geopolítica do Nordeste não fica difícil duvidar da eficácia do consórcio.

Para começar, o Fórum dos Governadores do Nordeste foi inventado, depois da queda da presidente Dilma Rousseff, como forma de constranger o presidente Michel Temer.

O movimento segue agora a pleno vapor, com uma reunião por mês, pois todos os governadores do Nordeste são oposição ao governo Bolsonaro.

E poucos deles são marinheiros de primeira viagem. Quase todos foram reeleitos.

Então, não custa perguntar: será que antes de 2016 o Nordeste já não tinha graves problemas que pudessem ser enfrentados conjuntamente pelos seus governadores?

Ou eles só surgiram depois que o PT caiu do poder, em Brasília?

Segurança

O governador Wellington Dias cita como exemplo das ações do consórcio a recente cooperação dos Estados nordestinos, que se deram as mãos para ajudar o Ceará no enfrentamento dos ataques de violência, com a ajuda do Governo Federal.

Ora, que novidade há nisso? No tempo de Lampião, os Estados nordestinos já se uniam, já faziam força-tarefa, como se diz hoje, para combater o cangaço.

Rota das Emoções

Outra: uma experiência de um consórcio  com a participação de apenas três Estados da região, e com atuação em apenas uma área – o turismo – foi um fracasso total e absoluto.

Refiro-me ao projeto “Rota das Emoções”, lançado em 2005, envolvendo o Ceará, o Piauí e o Maranhão, com o objetivo de explorar de forma integrada os santuários ecológicos do Parque Nacional de Jericoacoara, do Delta do Parnaíba e dos Lençóis Maranhenses.

O consórcio não andou, pois o que se viu depois foi cada Estado vendendo o seu peixe em separado. E e o Piauí levou a pior: o Aeroporto Internacional de Parnaíba, que seria a porta de entrada da “Rota das Emoções” acabou entregue às moscas.

Reformas paradas

Por: Arimatéia Azevedo

O ano no Brasil, diz uma lenda em tom de piada, só começa após o carnaval. É claro que isso não se configura para a maioria das pessoas. Todo mundo trabalha, tem contas a pagar, impostos a recolher, coisas a fazer e assim o ano mal termina e a faina recomeça sem muito intervalo para se respirar. Mas para os que parecem ter todo o tempo do mundo, a pressa não existe. Nesse compasso, seguem os governantes e as casas legislativas.

Aqui como em Brasília, duas reformas estão paradas. No caso local, a paralisação deve deixar de existir nesta semana, com os deputados cordatamente aquiescendo as alterações na estrutura funcional do Estado, mudada pela quarta vez pelo mesmo governador Wellington Dias (PT), que agora, premido pelas circunstâncias fiscais, tem que usar uma faca em vez de uma caneta – o que poderá destravar o governo, já que o chefe do Executivo renovou o mandato, mas não a equipe, que segue sem definição. No âmbito federal, a reforma da Previdência não andou um centímetro na Câmara, simplesmente porque até agora não está instalada a Comissão de Constituição e Justiça, que aprecia a matéria para permitir sua tramitação.

É um detalhe técnico que faz toda diferença: quanto mais tempo passa, mais o governo precisa ceder nas negociações, o que pode fazer com que a reforma sofra alterações que, se forem grandes demais ou fizerem concessões demais, podem simplesmente transformar tudo em somente um puxadinho. Bem ao sabor dos interesses dos políticos.

Medo – Bolsonaro no Planalto

Por Arthur Cunha – especial para o blog

O decano do Jornalismo Político, Bob Woodward, afirma, em seu mais recente livro, intitulado “Medo – Trump na Casa Branca”, que assessores próximos ao presidente norte-americano aplicaram o que ele chamou de Golpe de Estado Administrativo – essa obra, por sinal, já nasceu um best seller, tendo mais de um milhão de exemplares vendidos na primeira semana. Temendo pela sanidade mental do líder da maior potência do planeta, esses funcionários, entre eles alguns equivalentes aos nossos ministros, esconderam memorandos e sonegaram informações de modo a impedir Trump de tomar decisões precipitadas pelas quais os Estados Unidos pagariam um alto preço.

Na prática, o que aconteceu foi um enfraquecimento da vontade do mandatário e de sua autoridade constitucional, afinal, ele foi eleito legitimamente para o cargo. “Um colapso nervoso do Poder executivo do país mais poderoso do mundo”, concluiu Bob Woodward, que já cobriu nove presidentes pelo Washington Post; escreveu 18 livros; ganhou dois prêmios Pulitzer e foi coautor da série de reportagens com Carl Bernstein sobre o caso “Watergate”, ainda nos 70, que culminaram na renúncia do então presidente Richard Nixon.

Se, ao ler esse preâmbulo, você fez um comparativo com o que estamos vivendo no Brasil, parabéns, você está certo. E pode se assustar, viu! É justamente isso, um Golpe de Estado Administrativo – ou mesmo um Impeachment –, que muita gente já defende em Brasília; no Congresso e na Caserna. A constante falta de decoro do presidente e dos seus filhos trapalhões está causando arrepios nos principais grupos que integram a administração: os militares e a turma da economia, ligada ao superministro Paulo Guedes. Inspirado no ídolo Trump, por quem será recebido no próximo dia 19, Bolsonaro parece seguir o mesmo script do norte-americano ao usar as redes sociais para destilar ódios desnecessários e criar polêmicas estapafúrdias que estão acabando, em tempo recorde, com seu próprio capital político. Com isso, ele esquece de governar.

Os fatos da última semana só comprovaram, de forma cabal, o que muitos já tinham certeza: Bolsonaro não faz ideia do que é ser presidente da República. Não tem filtros; não se preparou para exercer o cargo; não tem postura. Na linguagem popular, é um “sem noção”; um papangu que deu certo. A culpa, é preciso se dizer, não é só dele. E menos de quem o elegeu, porque votou nutrido de um sentimento de mudança necessário diante de tanto desgoverno, e mais da classe política – aí eu estou incluindo os principais líderes e partidos dominantes de outrora –, que falhou na missão de conduzir a nação. Agora, é torcer para a divindade (ou como você queira chamar) iluminar a cabeça do nosso presidente sem juízo. Este país não aguenta outro Impeachment. Que Deus nos ajude!

Olavistas x Militares – Não bastasse Bolsonaro, seus filhos trapalhões e seu partido “laranja”, o guru do Bolsonarismo, Olavo de Carvalho, é outro que está jogando contra.

O filósofo, sustentáculo do núcleo ideológico do governo, entrou em guerra declarada contra os militares. Sexta, mandou seus alunos deixarem a administração. Agora, os olavistas estão acusando a turma da caserna de perseguição. Assessor especial do MEC, Silvio Grimaldo disse que o presidente preferiu os “generais positivistas” aos “ativistas intelectuais de Direita”. É uma guerra de egos!

A atual cultura da violência precisa ser substituída pela cultura do cuidado

Leonardo Boff

O ódio e a raiva estão disseminados em nossa sociedade, toda ela dilacerada. Quem nos governa não é bem um presidente mas uma família, cuja característica principal, utilizando as redes sociais, é a linguagem chula, os comportamentos grosseiros, a   difamação, a vontade de destruir biografias, a distorção consciente da realidade e a ironia e a satisfação sobre a desgraça do outro, como no caso da morte do pequeno Arthur, de sete anos, neto do ex-Presidente Lula. Após o carnaval, o próprio presidente postou no twitter material pornográfico escandalizante.

Os sentimentos mais perversos aninhados na alma de seguidores do atual presidente e de sua família, vieram à tona. Os críticos não são vistos com adversários mas como inimigos a quem cabe combater.

ACIMA DA LEI – Os Bolsonaro violam a lei áurea, presente em todas as culturas e religiões: “não faças ao outro o que não queres que te façam a ti”. Como se vive, consoante o eminente jurista Rubens Casara, num Estado pós-democrático, pior ainda, num Estado sem lei, podemos entender o fato de atropelar a Constituição, passar por cima das leis e por fim, anular uma ética mínima que confere coesão a qualquer sociedade. Estamos a um passo de um Estado de terror.

Valem-nos as categorias do conhecido psicanalista inglês Donald Winnicott, um clássico no estudo das relações parentais dos primeiros anos da criança, para entender um pouco o que nos parece ser algo patológico. Segundo ele, a ausência de uma mãe bondosa e a presença de um pai autoritário marcariam em seus familiares, os comportamentos desviantes, violentos e a falta de percepção dos limites. Talvez esta base psicológica subjacente nos esclareceria um pouco sobre a truculência dos filhos e o despudor do próprio presidente ao expor no twitter uma obscenidade sexual. Entretanto, um país não pode ser regido por portadores de semelhantes patologias que geram um generalizada insegurança social, além de reforçar uma cultura da violência, como atualmente.

COM CUIDADO – À esta cultura da violência propomos a cultura do cuidado, um dos eixos estruturadores do citado psicólogo Winnicott. A categoria cuidado (care, concern) comparece como um verdadeiro paradigma. Possui alta ancestralidade, contada pelo escravo Higino, bibliotecário de César Augusto,em sua fábula n. 220. Esse constitui também o núcleo central da obra maior de Martin Heidegger “Ser” e “Tempo”. Em ambos, se afirma que o cuidado é da essência do ser humano. Sem o cuidado de todos os fatores que se combinaram entre si, jamais teria surgido o ser humano. O cuidado é tão essencial que se nossas mães não tivessem tido o infinito cuidado de nos acolher, não teríamos como deixar o berço e buscar o alimento necessário. Morreríamos esfaimados.

Bem escreveu outro psicanalista, este norte-americano, Rollo May:” Na atual confusão de episódios racionalistas e técnicos, perdemos de vista o ser humano. Devemos voltar humildemente ao simples cuidado. É o mito do cuidado, e somente ele que nos permite resistir ao cinismo e à apatia, doenças psicológica de nosso tempo (Eros e repressão, Vozes 1982, p. 340).

É ESSENCIAL – Tudo o que fazemos vem, pois, acompanhado de cuidado. Tudo o que amamos também cuidamos. Tudo o que cuidamos também amamos. O cuidado é tão essencial que é por todos compreendido porque todos o experimentam a cada momento, seja ao atravessar a rua ou ao dirigir o carro e seja com as palavras dirigidas à outra pessoa.

ACOLHIMENTO – Dois sentidos básicos são expressos pelo cuidado. Primeiramente, significa uma relação amorosa, suave, amigável e protetora para com o nosso semelhante. Não é o punho cerrado da violência. É antes a mão estendida para uma aliança de viver e conviver humanamente.

Em segundo lugar, o cuidado é todo tipo de envolvimento com aqueles que nos são próximos e com a ordem e o futuro de nosso pais. Ele implica certa preocupação porque não controlamos o destino dos outros e do país. Quem tem cuidado não dorme, dizia o velho Vieira.

Finamente observou ainda Winnicott, o ser humano é alguém que necessita de ser cuidado, acolhido, valorizado e amado. Simultaneamente é um ser que deseja cuidar como fica claro com nossas mães, ser aceito e ser amado.

MÃE TERRA – Esse cuidado uns pelos outros e de todos por tudo o que nos cerca, a natureza e nossa Casa Comum refreia a violência, não permite a ação devastadora do ódio que ofende e mata e é o fundamento de uma paz duradoura.

A Carta da Terra, assumida pela ONU em 2003, nos oferece uma compreensão das mais verdadeiras da paz:”é aquela plenitude que resulta das relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com o Todo maior do qual somos parte”(n.16,f).

No atual momento de nosso país, atravessado por ódios, palavras ofensivas e exclusões, o cuidado é imperativo. Contrariamente aprofundaremos a crise que nos está assolando e tolhendo nosso horizonte de esperança.

O risco das velhas caras no governo

A Assembléia Legislativa só deve votar o projeto da reforma administrativa no final deste mês, uma vez que o Palácio de Karnak não pressa para implementá-la de imediato. Se quisesse já teria aprovado, bastando para isso que sua bancada aprovasse um requerimento para o projeto tramitar em regime de urgência. No entanto, é interesse do governador Wellington Dias que a tramitação se dê da forma mais lenta para por em prática seu plano de anunciar o secretariado só em abril.

A partir desta segunda-feira (11), as coisas voltam ao normal no Karnak após o retorno de Dias da viagem particular que fez aos Estados Unidos onde passa o período de carnaval. Com o seu retorno, o governador retomará as conversas individuais com os partidos de sua base política, lideranças e deputados. Wellington Dias é conhecido na classe política como um político destituído por completo do sentimento de ansiedade, mas seus companheiros e aliados não o possuem e por isso aguardam ansiosamente.

Estas três semanas que separam março de abril serão uma eternidade para deputados e partidos que vivem a expectativa da definição da participação deles no governo. O problema é que o governador deu reiteradas declarações afirmando que a composição do governo sairá depois da aprovação da reforma administrativa. Ora, independente do projeto, que já é do conhecimento de todos de como ficará a estrutura (não muda quase nada), Dias já devia ter definido a lista completa dos seus auxiliares.

São alguns nomes já estão escolhidos, como é o caso dos secretários de Planejamento, permanecendo Antonio Neto, assim como Rafael Fonteles na Fazenda, e de Osmar Jr. (PC do B) que vai para a pasta de Governo. É praticamente certo que o atual chefe da Secretaria de Governo, Merlong Solano, irá mesmo para a Administração, enquanto a Agricultura, que será desmembrada, ficará uma parte com o PT e outra com o PSD do deputado Júlio César Lima, que vai manter também a Adapi.

Em relação aos aliados, o PP deve manter os cargos que possui hoje, no caso o Detran e a Secretaria de Transporte, esta pleiteada pelo senador Marcelo Castro que tiraria o filho José Dias de Castro Neto do DER para colocá-lo lá. O senador Ciro Nogueira, porém, está resistindo. Ainda não se sabe como será a participação do MDB nos cargos do governo. Sobram pastas como Meio Ambiente, Turismo, Cidades, Desenvolvimento Econômico, Saúde, Assistência Social, que não se sabe quem serão os nomeados.

Wellington Dias bem que poderia aproveitar que a maioria desses órgãos estão sem definição para colocar caras novas mesmo que seja indicação de partidos para não correr o risco de o novo mandato ter seqüência com uma equipe envelhecida. Afinal, esse quarto mandato pode trazer sérios desgastes para sua imagem e para a do governo. Quatro mandatos é muito tempo para um governo manter uma imagem de aprovação. Fazer um governo novo com caras velhas faz lembrar o velho PDS e PFL que de tanto repetir as caras e não se renovar acabou antes do tempo.

CORTE DOS PRÊMIOS

As medidas de controle de gastos do governo do estado alcançaram até o sorteio da Nota Piauiense, feito para premiar os contribuintes que exigem a nota fiscal de compra.

No 42º sorteio da nota o primeiro prêmio, que era de R$ 50 mil, teve um corte de 50% e só pagou R$ 25 mil, enquanto o segundo prêmio, que era de R$ 20 mil agora só paga R$ 10 mil.

Até mesmo número de ganhadores dos prêmios de R$ 1 mil, R$ 500,00, R$ 250,00 e R$ 100,00, caiu pela metade.

DE VOLTA À CASA

O deputado Evaldo Gomes, que trocou o PTC pelo Solidariedade, está praticamente com um pé dentro da prefeitura de Teresina.

Depois de vários encontros e conversas com o prefeito Firmino Filho, Evaldo Gomes acertou a participação de seu grupo político na prefeitura.

Com isso, o deputado deve indicar um nome para ocupar o cargo de presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves.

E o nome mais cotado é o do suplente de vereador Sheyvan Lima, que foi secretário de Cultura nos 9 meses do governo Zé Filho em 2014.

Feliz ano novo

Por Arthur Cunha – especial para o blog

Acabou o Carnaval e 2019 começou (de fato) no mundo político. Entrando no terceiro ano de suas gestões, os prefeitos brasileiros têm, nos próximos meses, o prazo final para corrigirem eventuais problemas no plano administrativo e prepararem o terreno rumo ao pleito de 2020 – tanto os que tentarão a reeleição quanto os que lançarão seus sucessores. É o ano das “entregas”, onde, segundo os entendidos, as realizações dos governos em questão ficarão marcadas na memória do eleitor. Não se enganem, o tempo até o início da campanha é curto e passará voando. Portanto, prefeitos, mãos à obra porque seus opositores já estão nas ruas atrás de voto.

Mesma lógica para os vereadores que tentarão renovar seus mandatos em 2020. Os que ainda não têm, precisam correr contra o tempo e criar uma marca. O eleitor não engole mais aquela conversa fiada de “vou trabalhar pela saúde e educação”. Você, amigo vereador, necessita ter o que mostrar. Se ainda não fez isso, faça. Graças a Deus a população está cada vez mais vigilante e já não tolera aquela figura que aparece só em tempo de eleição com a cara mais lisa do mundo. A época é a do serviço prestado. Quem não tem, não merece mais a confiança do povo. Vai levar cartão vermelho!

O ano também começou de fato para os governadores de primeiro ou segundo mandato, que tomaram posse no dia 1º de janeiro. E o prognóstico dos próximos quatro anos não é dos melhores. A crise econômica associada à má gestão da máquina pública (na maioria, mas não em todos os casos) continuará sendo um forte empecilho para os chefes dos Executivos estaduais, que têm pela frente inúmero desafios na Segurança, Saúde e Educação. Não bastasse isso, eles ainda precisam viver em Brasília atrás de recursos federais para tirar do papel suas promessas de campanha.

Deputados estaduais, federais e senadores fazem parte de assembleias legislativas e de um Congresso altamente desgastados. Claro que não me refiro a todos. Mas a maioria. Em regra geral, a qualidade dos Parlamentos cai muito com o passar das Legislaturas. Discussões inócuas, brigas de egos e baixa produtividade marcam as casas. Tomara que em 2019 eles acordem e optem por mudar esse conceito negativo. Pois é, para políticos dos três poderes, trabalho tem de sobrar. O que falta é suas excelências pegarem no serviço. Feliz ano novo e vamos produzir!

Movimentado – Ao contrário da maioria, o 2019 de Jair Bolsonaro já começou faz tempo. E está, digamos, movimentado. Com pouco mais de dois meses de governo, o presidente já foi operado de novo, ficou internado, demitiu ministro, pagou pelas besteiras dos filhos e ainda não conseguiu dizer a que veio, entre outros problemas. Agora, ele se prepara para enfrentar uma guerra no Congresso, quando tentará aprovar a sua reforma da Previdência. Só estamos em março e o ano pode reservar muitas surpresas ao ex-capitão.

Postura – Falando nele, o Carnaval é só mais um motivo para polêmica quando se trata de Jair Bolsonaro. O presidente da República tem tudo, menos postura. Ontem, postou no Twitter um vídeo onde um homem aparece masturbando o próprio ânus e depois sendo “urinado” por outro homem, durante um bloquinho. Deixo aqui claro que respeito as orientações sexuais de todos, desde que, para tal, ninguém cometa um atentado ao pudor. Mas o fato é que, ao compartilhar, Bolsonaro só deu mais visibilidade ao episódio.

Déficit no Iaspi e Plamta

Por:Arimatéia Azevedo

O governo do Piauí vem demonstrando interesse em fazer economia da palitos face à periclitante situação fiscal em que se envolveu. Há disposição para se cortar tudo, desde uma navalhada em 25% dos contratos de locação de mão de obra até a redução drástica do uso de papel nos processos administrativos.

No rol das contenções de despesa, há uma em especial que ainda não foi mexida porque o governo não gosta de cutucar onça com vara curta ou não quer espantar um vespeiro. Porém, faz tempo que se estuda um modo de reduzir os gastos do Erário com o plano de saúde dos servidores públicos e seus dependentes, formado pelo Iaspi Saúde e Plamta. O plano é deficitário, porque o valor por segurado ou dependente é em muito menor que o cobrado por outros planos, incluído os estatais, como Geap. Mas aumentar o valor da mensalidade (inferior a R$ 100, na média de usuário) é uma operação que o governo não quer enfrentar, preferindo usar dinheiro do Tesouro para fazer eventuais aportes em caso de déficit corrente.

A proposta de um reajuste está em estudo. Poderia e deveria ser feita na base de pelo menos uma recomposição inflacionária pelo período em que não se teve reajuste da mensalidade, enquanto subiam todos os custos, inclusive as despesas salariais do Estado para com seus servidores em atividade e inativos.

Agora é ‘Cinzas’. O ano vai enfim começar?

Jair Bolsonaro, em evento no Planalto: à frente de um governo que ainda bate cabeça e gera dúvidas (FOTO: Planalto /  Divulgação)

Por:Fenelon Rocha

O ditado, tristemente revelador da morosidade e do excessivo relaxamento de uma boa parte do Brasil, é conhecido e repetido praticamente todos os anos: aqui, na Terra de Macunaíma, o ano só começa depois do carnaval. Neste 2019, no entanto, a frase parece ter força de lei. O ano não começou. Nem no plano nacional. Nem no âmbito estadual.

No cenário nacional, o governo ainda tenta encontrar um caminho. Os mandachuvas do Planalto batem cabeça, seguem em rumos discrepantes e falta confiança sobre os passos futuros. Um reflexo dessa situação é reforma da Previdência, que chegou ao Congresso com um formato que teve no presidente Jair Bolsonaro seu primeiro desqualificador.

O texto da reforma estabelecia 62 anos como a idade mínima de aposentadoria para a mulher. Pois o presidente disse que pode ser 60. Assim. Sem nenhum tipo de negociação. Simplesmente cedeu, para desespero da equipe econômica e perplexidade dos líderes políticos no Congresso.

Aqui no cenário local, o governo faz tudo para não começar o quarto mandato de Wellington Dias. A reforma administrativa proposta pelo Executivo chegou à Assembleia com reações a alguns pontos, como o congelamento dos salários. Com um detalhe: a reação maior foi da base governista, que levou o governador a retirar a mensagem que tratava desse tema.

Ao mesmo tempo, partidos da base avisam: só votam a reforma se houver antes a partilha dos cargos. Wellington se faz de mouco. Não tem pressa, tanto que sequer pediu regime de urgência para a tramitação da reforma. Prefere deixar para depois as definições sobre cargos de confiança, boa parte sem ocupante desde o início do ano.

Isso tudo significa menos gastos. E gastar menos é tudo o que o governo deseja e precisa, em meio a crise financeira sem precedentes nas útlimas três décadas. Daí, deixar a reforma para depois é manter esses cargos ociosos e os gastos em menor medida.

Resta saber até quando o governador vai conseguir empurrar com a barriga, ante a pressão nada sutil dos aliados.

Seja como for, a quarta-feira de Cinza, que assinala o fim do carnaval, costumava ser vista como o início real do ano. Este ano parece que é diferente, tanto em Brasília como em Teresina. E se 1968 é sempre lembrado como o ano que não acabou, 2019 – pelo menos até agora – vai se firmando como o ano que não começou

Acabar com a contribuição sindical obrigatória é um grande êxito de Bolsonaro

Carlos Newton

A melhor notícia dos últimos tempos foi a decisão do governo de baixar medida provisória para impedir desconto em folha da contribuição sindical. É a verdadeira pá de cal para sepultar de vez a tentativa do PT e de Lula da Silva de  implantar no Brasil uma “República Sindicalista”, que quase chegou a se concretizar, ameaçando de forma direta a democracia brasileira.

A situação tornara-se inquietante, porque o Brasil se transformou no paraíso de sindicatos, federações, confederações e centrais, e quase todas essas 17 mil instituições eram ligadas e até subordinadas ao PT.

RECORDE MUNDIAL – A situação era surrealista, porque o número de sindicatos no Brasil era um estranho recorde mundial, sem haver nada de semelhante em nenhum outro país. Para se ter uma ideia, no Reino Unidos existem apenas 168 sindicatos, na Argentina, somente 91. As 17 mil instituições existentes no Brasil representavam cerca de 90% de todos os sindicatos do mundo.

E tudo isso era bancado diretamente pelos trabalhadores, através da cobrança da contribuição sindical obrigatória, equivalente a um dia de trabalho, descontada diretamente do contracheque, não havia como escapar da cobrança.

JEITINHO BRASILEIRO – No governo de Michel Temer, em meio à criminoso reforma trabalhista, o Congresso conseguiu aprovar a proibição do desconto obrigatório da contribuição sindical, mas foi mais uma lei que não pegou. Os sindicatos deram um jeitinho brasileiro e conseguiram continuar cobrando a contribuição equivalente a uma dia de trabalho por ano.

Malandramente, os sindicatos pararam de reclamar, para deixar tudo como antes, sem fazer alarde. Mas o governo federal estava de olho no golpe e acabou baixando a Medida Provisória que impede o prolongamento dessa farra do boi sindicalista.

SÓ POR BOLETO – Agora, a contribuição sindical só pode ser cobrada através de boleto bancário. Ou seja, o sindicato emite o boleto e envia para a casa do trabalhador, que só paga se achar conveniente.

Com isso, espera-se que mais de 15 mil instituições sindicais sejam fechadas no prazo de um ano. Se no final das contas sobreviveram apenas 200 sindicatos, já estará de bom tamanho. O resto não tem a menor razão de existir.

As prostitutas vos precederão…

A alegria presente ‘no mundo’ é atrativa, sobretudo porque é livre, não segue os mil e um regramentos tão caros às religiões que cederam ao controle.

Por Felipe Magalhães Francisco*

É carnaval! Tempo de devassidão, promiscuidade, luxúria e toda sorte de pecados da carne. É assim que pensam as pessoas mais apegadas a certas estruturas de compreensão da moral e dos costumes. Os exageros existem, como em tudo onde haja pessoa humana envolvida. Mas é preciso considerar outros aspectos, tais como o da alegria; do entusiasmo; da leveza; do grito pela liberdade de ser, fora da pressão social que é constante e, por vezes, opressora.

No juízo exacerbado feito contra quem se diverte e se compraz no carnaval, parece existir uma certa vontade de experimentar um divertimento de tamanha expressividade. Não só no carnaval, vale dizer. Aquilo que “no mundo” é muito criticado por religiosos hiperapegados à moral e aos costumes, acaba recebendo uma roupagem religiosa, para se tornar apto ao público religioso. É o caso do surgimento dos chamados barzinhos cristãos, cristotecas, carnaval com Jesus, etc.

A alegria presente “no mundo” é atrativa, sobretudo porque é livre, não segue os mil e um regramentos tão caros às religiões que cederam ao controle. Para não perder os jovens, esses grupos religiosos acabam por “batizar” alguns dos costumes, e trazendo-os para dentro do círculo religioso. Tola ilusão de santidade. Para viver a santidade, é preciso tocar o chão do mundo, pois é nele o lugar da vida. Alienar-se do mundo, para manter certa concepção de pureza e santidade, mas viver desejoso de viver o que no mundo se vive, só revela o sofrimento de uma vida sempre irrealizável e fincada no desejo castrado.

Faz-se necessário superar a compreensão de que quem com porcos anda, farelo come, no que diz respeito às questões religiosas, tratando-se de fé cristã. Um dos constantes enfrentamentos de Jesus com a religião instituída de seu tempo, era justamente o rigorismo de pureza que afastava os religiosos do chão da vida. Impuro não é que o entra pela boca do ser humano, mas o que sai, se o coração está cheio de impureza (Mt 15,11). Agiu conforme a vontade de Deus, o samaritano, infiel às regras da religião instituída, ao tocar as feridas do que fora agredido, e não o sacerdote e o levita, legítimos representantes dos costumes religiosos (Lc 10,25-37).

Estar no mundo, com os pés tocando com firmeza o chão, dando o testemunho da esperança no Reino: eis o significado do que seja a santidade cristã. Não criar ilusões de que precisamos nos proteger do mundo, como se fosse um grande vilão a nos espreitar, mas compreendê-lo como seara do testemunho da fé, da esperança e da alegria. Se o desejo é festejar o carnaval, com seus confetes e purpurinas, é com a convicção da fé que devemos ir, não nos excluindo da convivência com os que não comungam a mesma fé, mas irmanando-nos e sendo sinal de, que na fé, também vivemos a alegria e o entusiasmo; que também nós, pessoas que se dedicam ao seguimento de Jesus, somos capazes de gritar pela liberdade de ser quem somos. Insistir no farisaísmo, é nos esquecer do alerta de Jesus: “As prostitutas vos precederão no Reino dos Céus” (Mt 21,31).

É carnaval! Tempo de alegria, de subversão da ordem estabelecida, de alívio das dores e tormentas do cotidiano, de questionamento das estruturas de injustiça e opressão. Façamos carnaval!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com

Reflexões sobre a Lei do Retorno, que Cristo chamava de Lei da Ação e Reação

Antonio Rocha

Outro dia eu estava refletindo: a Humanidade só vai melhorar quando aceitar a Lei do Retorno, ensinada pelo Buda e por todos os Avatares. O próprio Jesus, em seus Evangelhos, ensinou a Lei de Ação e Reação, mas as interpretações atuais e dominantes das bancadas cristãs, em diversos setores e lugares, não aceitam essa doutrina, porque, se aceitassem tais proposituras de Cristo, teriam que mudar seus comportamentos para praticar mais intensamente a Ética, a Moral, ou seja, a Lei do Carma, enfim

Se aceitassem os pressupostos da Lei do Carma, essas bancadas cristãs teriam de ser mais simples, mais humildes, mais verdadeiras, mais caridosas. Como isso é difícil, não querem nem tentar, nem começar, preferem os egoísmo e as vaidades tolas, que são fundamentadas justamente nas aparências passageiras que o Buda dizia serem “impermanentes”.

FALTA TEMPO… – É bem provável que daqui a 5 mil anos, parodiando o trabalhista Antonio Santos Aquino em sua vivida experiência, a Humanidade comece a se desapegar dessas transitoriedades…

E nós, estaremos por aqui, de volta, através da Lei do Renascimento/Reencarnação que Cristo também ensinou: “A reencarnação fazia parte dos dogmas judeus sob o nome de ressurreição; só os saduceus não acreditavam nela”, diz o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, em seu capítulo IV.

Piauí já gasta 60% com folha de pessoal

Por: Zózimo Tavares

Formalmente, o Governo do Piauí bateu na trave em relação às despesas com pessoal. Ou seja, quase estoura o limite fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal para esse tipo de gasto.

O governo recebeu, há poucos dias, uma correspondência do Tribunal de Contas avisando que o sinal estava sendo invadido.

A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que o limite máximo que os Estados podem gastar com pessoal é de 49% de sua Receita Corrente Líquida (RCL).

No 3º quadrimestre de 2018, o Piauí teve uma despesa de pessoal que chegou a 48,52 % da RCL.

Portanto, ultrapassou o limite prudencial (46,55%) e bateu no teto permitido de 49%.

Foi essa situação que levou o governo a pedir autorização da Assembleia Legislativa para congelar salários, promoções e contratações de servidores por um ano.

Fora do cálculo

Mas o quadro é mais grave do que aparenta. Nessas despesas, o TCE não contabiliza o pagamento dos aposentados e pensionistas, retiradas do cálculo a pedido do próprio Governo do Estado, em 2015.

A folha de inativos (aposentados e pensionistas) já ultrapassa a dos ativos no Piauí e o déficit da Previdência estadual consome 12% da Receita Corrente Líquida.

Se os inativos e pensionistas entrassem no cálculo dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Piauí já estaria comprometendo, portanto, 60% RCL com pessoal.

Na prática, é isso o que acontece. A luz vermelha está acesa!

Caos no sistema prisional: falta até alimentos em presídio

Por: Fenelon Rocha

Está feia a coisa no sistema prisional piauiense. Há algumas semanas, a falta de gasolina impediu que presos fossem transportados para audiências de custódia, em Teresina. Agora, um documento assinado pelo diretor da penitenciária de Bom Jesus alerta para a falta de comida naquela casa de detenção.

Comida é o limite do limite. E se falta comida, o que não estará faltando nos presídios…

O ofício, com data de assinatura da última segunda-feira, alerta para a gravidade do problema que é a falta de alimentação, estopim mais que previsível para tumultos e revoltas. O momento é especialmente crítico, já que grandes datas – como Natal, ano novo, carnaval e Semana Santa – costumam gerar ânimos mais exaltados dentro dos presídios.

E o carnaval é amanhã.

As perspectivas negativas são destacadas pelo diretor da penitenciária, Ronnald Oliveira. Segundo o ofício encaminhado ao secretário Daniel Oliveira, a falta de comida pode ter efeito imediato, porque “isso pode interferir nas nossas atividades diárias, pois a falta de alimentação pode gerar tumulto nos pavilhões”, diz o texto. Daí, o diretor faz um apelo com tom dramaticamente compreensível: “Portanto, pedimos encarecidamente a V. Exª que tome as providências cabíveis para solucionar tal fato”.

Cabe ainda observar que a penitenciária de Bom Jesus reproduz uma realidade geral do sistema prisional piauiense e também nacional: a superlotação. De acordo com o mesmo ofício de Ronnald Oliveira, o presídio tem vagas para 76 internos em regime fechado, mas neste momento estão confinados 130 detentos.