O naufrágio do Plamta atinge 300 mil usuários

por:Cláudia Brandão

Em uma última tentativa de acordo, governo e sindicato dos hospitais e clínicas particulares se sentaram à mesa, intermediados pelo Ministério Público do Estado. A situação chegou ao nível do “insustentável”, de acordo com os hospitais, devido ao atraso no pagamento do repasse do Plamta. Sem receber pelos atendimentos feitos, os diretores da rede privada de saúde já anunciaram que vão suspender as atividades com os usuários do plano.

Pior para os servidores públicos, cujo pagamento é descontado mensalmente no contracheque. Ou seja, eles estão pagando regularmente, mas não terão direito ao benefício porque o estado não está repassando o dinheiro recolhido aos hospitais. O sindicato dos hospitais diz que não tem como continuar o atendimento se o governo não pagar dentro do prazo estabelecido n contrato, que é de 60 dias após a apresentação da fatura.

O Estado, por meio do Secretário de Fazenda, Antônio Luís Santos, mandou um recado, avisando que não tem como pagar no prazo por conta da dificuldade financeira que o Piauí está atravessando. As contas estão no vermelho, é fato. Mas é preciso estabelecer prioridades e a saúde é a principal delas. O Piauí teve sua máquina pública inchada e hoje conta com mais de 60 órgãos com status de secretaria. Algumas obras, como construção de estradas, estão pulverizadas em várias secretarias ao mesmo tempo.

Um bom começo é otimizar os serviços, diminuir o número de cargos públicos e apertar o cinto onde não haja prejuízo para a população. Certamente, deixar de pagar compromissos assumidos com a saúde não é um bom caminho. Os quase 300 mil usuários do Plamta em todo o Estado têm  o direito de receber o benefício correspondente ao que pagaram.

Lula e a Seleção ainda vão ficar um bom tempo na caverna. *Por Pádua Marques

 

 

Agora que aqueles meninos lá da Tailândia estão sãos e salvos num hospital melhor que o Dirceu Arcoverde e a Copa da Rússia mandou pra casa com o rabinho entre as pernas a Seleção Brasileira, que bem poderia ser chamada de Vira-latas de Tite, a gente fica imaginando que tem acontecido é coisa neste mundo nessa semana, que dá vontade às vezes de rir e de chorar. Porque de repente o mundo ficou feito morcego dentro de caverna, tudo de cabeça pra baixo.

Todo mundo se emocionou com a história dos doze meninos do Javalis Selvagens, que levados pela peraltice entraram de caverna a dentro e, quando arregalaram os olhos estavam sem poder voltar e com água no meio das canelas. Ali não dava pra chamar mamãe e nem os bombeiros do major Rivelino. Era esperar pra morrer e ninguém podia, como acontece entre meninos quando fazem coisas erradas, uns mangarem dos outros.

A Seleção Brasileira de Futebol saiu daqui cuspindo pra cima e arrotando alto. E pra ela a caverna tem sido é longa e escura depois da fragorosa derrota pra Bélgica. Ainda tem gente que não meteu a cara pra fora com medo das vaias dos vizinhos, sem poder andar pela praça da Graça, passar pela Banca do Louro, pagar o Credishop no Paraíba ou tirar foto à noite na Praça do Amor, ali no Mirante.

Mas a situação da caverna do Lula foi engraçada e de morrer de pena. Lula está naquela caverna lá em Curitiba porque se meteu à frente de uma excursão que tinha o objetivo de fazer uma montanha de coisas erradas por muitos e muitos anos. Foi fazendo e deixando fazer. E o grupo foi entrando de chão adentro e achando graça de tudo quanto era safadeza. Tudo era brincadeira e motivo de achar bonito. Uma asneira atrás da outra.

E olhe que a militância tem é trabalhado pra tirar Lula da caverna. Querem porque querem tirar Lula de qualquer jeito. A última, um desembargador muito do malandro achou de achar que todo mundo é burro. Fez igual a muitos agentes penitenciários e soldados, que por pela gorjeta gorda dos parentes do preso, relaxam na guarda e deixam o cadeado aberto pra o preso escapulir na calada da noite. Depois colocam a culpa na parede da cela.

O desembargador, que agora se sabe ser vértebra da espinha dorsal do Partido dos Trabalhadores, se aproveitando do plantão, acatou dos advogados e de amigos do Lula um pedido de habeas corpus que, se cumprido, deixaria Lula livrinho da silva, a ponto de ainda pegar o metrô, passar na padaria pra tomar uma e assistir ao jogo pela televisão. Não tem uma só pessoa, e não precisa ser especialista em Direito, que não tenha percebido a esperteza do desembargador. Pra os dois casos, ainda não foi desta vez. * Pádua Marques é jornalista e escritor. Membro da Academia Parnaibana de Letras, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba, Academia de Sete Cidades, Sócio Correspondente da Academia de Artes e Letras de Campo Maior, do Instituto de Artes e Letras de Buriti dos Lopes e do instituto Histórico de Eserantina.

Autodestruição do país continua

Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo

Enquanto o Congresso acabava de quebrar mais um pedaço do governo, os candidatos a presidente da República falida discutiam alianças e negociavam minutos de TV para a campanha eleitoral.

Nesta semana, parlamentares do PSDB ao PT, passando pelos ainda mais notórios MDB, DEM e centrão, arrebentaram as contas públicasem mais dezenas de bilhões, entre outros votos infames. 

Os candidatos mais relevantes não apareceram para condenar a ruína extra, não articularam resistência ao esbulho, não se valeram da ocasião para reafirmar programas de mudança.

Nenhuma surpresa maior aí. Quase como de hábito, ainda mais em votações pré-eleitorais, não há debate nacional algum, mesmo entre as elites, dos votos dos partidos e das decisões parlamentares, seus arranjos clientelísticos em grande escala. Tratar dessa rotina destrutiva parece ingenuidade juvenil, tolinha.

Neste momento, porém, a omissão dos ditos presidenciáveis ressalta o irrealismo fantástico e suicida do que restou da conversa política sobre o que fazer dos problemas do país, a começar pelo colapso fiscal iminente (isto é, o governo não ter como pagar as contas básicas a partir de 2019).

Como os candidatos ao governo pretendem administrar a massa falida? Acreditam em mágica ou, no caso de alguns tipos, imaginam que sempre restará o que saquear?

Assim como fizera na temporada pré-férias de 2017, que deu ênfase ao perdão de dívidas de impostos de ruralistas e de tantas outras empresas, o Congresso arrebentou as contas públicas e fez favor a clientes, a casta burocrática e empresários entre eles.

Liberaram reajuste e contratação de servidores. Deram desconto de imposto para fábricas de refrigerante da Zona Franca de Manaus e perdão de dívida para micro e pequenas empresas. Anistiaram crimes e infrações do caminhonaço. Violentaram a ainda infante Lei de Responsabilidade das Estatais a fim de permitir a contratação de dirigentes partidários e seus parentes para a direção de empresas públicas.

Onde está o protesto gritante de Geraldo Alckmin (PSDB) e de Henrique Meirelles (MDB), coroinhas ou pastores do ajuste fiscal? Onde está Rodrigo Maia (DEM), candidato e presidente da Câmara, onde observa déficit e dívida públicos explodir debaixo do seu nariz? O indignado Ciro Gomes (PDT)? Marina Silva (Rede), bom dia?

A esquerda, por sua vez, está entretida em dizer disparates econômicos, pedir a bênção de Lula na cadeia e, no caso do PT, de solapar a candidatura de Ciro Gomes. Quanto ao governo de Michel Temer, está morto, embora sobrevivam as acusações de roubança, como no Ministério do Trabalho ou no INSS.

Quanto ao governo de Michel Temer, está morto, embora sobrevivam as acusações de roubança, como no Ministério do Trabalho ou no INSS.

Um grande movimento de empresários gritou “pênalti” para os pontapés parlamentares? Não. Vários deles estão no Congresso cavando boquinhas, assim como tentaram tirar casquinha do caminhonaço.

Deram então um tiro no pé e enfiaram um sorvete na testa, pois levaram um tabelamento de frete nas fuças.

O que se chama de “elite”, por falta de palavra mais adequada e publicável, se dedica à degradação do país e, no fim das contas, à autodestruição. Que outro nome dar à mazorca da Justiça, no domingo de Lula e no tumulto do Supremo, ao apoio quase geral ao caminhonaço, à depredação parlamentar do Tesouro Nacional nesta semana?

O Brasil e o atraso no desenvolvimento digital

Por: Janguiê Diniz (*)

Há alguns anos, não era possível que o padrão de consumo fosse estimulado junto a uma política de desenvolvimento sustentável. Equilibrar o uso dos recursos naturais com a política de produção era tido por países desenvolvidos como impossível.
 
Quando falamos em indústria 4.0, o Brasil ainda engatinha no uso de tecnologias que unem automação e internet. Os números de uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PwC) com 2 mil empresários em 26 países revelam a lentidão brasileira para se adaptar à “indústria do futuro”, em que as operações são digitalizadas e a análise de dados é primordial aos negócios.
 
A indústria 4.0 tem sido temida por muitos por ter sido associado à substituição da mão-de-obra humana por robôs, entretanto, sua premissa traz o uso da tecnologia  e chega para tornar a produção mais eficiente e menos agressiva aos recursos naturais. A Indústria 4.0 utiliza-se da união de sistemas físicos e informáticos para analisar um grande volume de dados e possibilitar às máquinas um processo de aprendizagem. Ela é a utilização de uma série de tecnologias, como: robótica, simulação, integração de sistemas, internet das coisas, entre outras.  Nesse sentido, o Brasil está longe do desenvolvimento no contexto da engenharia digital, da gestão integrada da cadeia de fornecimento e dos serviços digitais.
 
Um estudo realizado pela University of Washington divulgou que das 500 maiores empresas existentes, somente 60% vai existir daqui 10 anos. Isso porque elas não vão resistir à era digital e o produto, que hoje é fabricado, ou o serviço, que hoje é oferecido,  não será mais consumido no futuro. Esse movimento de mudança está sendo criado pelas empresas disruptivas, que possuem uma mentalidade diferente da grande maioria.
 
Todas essas empresas apresentam processos tecnológicos que tem seis elementos característicos: vivem na busca da inovação, estão acompanhando a 4ª Revolução Industrial e as tecnologias mais recentes; são completamente voltadas para o digital; são fortes participantes e preocupadas com o ecossistema; são planejadoras exponenciais; são ágeis e são centradas no cliente. 
 
No Brasil, o investimento das  empresas está  bem abaixo do investimento tecnológico da média industrial mundial. Por aqui,  apenas 21% dos empresários afirmam que vão investir cerca  de 6% de seus recursos em inovação tecnológica. Enquanto isso, no mundo, a média é de 43%. A culpa por essa falta de investimento é justificável: todos os entraves já conhecidos pelos brasileiros, seja por falta de infraestrutura, falta de política de inovação, crise ética e econômica ainda sem perspectiva de fim, etc.
 
Comparando com a Alemanha, é possível entender mais claramente nosso atraso. Por lá, o conceito de Indústria 4.0 surgiu em 2011 e, na indústria automobilística, por exemplo, 80% das empresas usam inteligência artificial, automação e robótica, as chamadas máquinas inteligentes, que se autoalimentam. O investimento na educação para a criação de mão-de-obra especializada para acompanhar essa revolução também foi considerada essencial.
 
Somente uma em cada dez empresas brasileiras investe em  inovação com operações digitais. A quarta revolução industrial é uma solução, não só  para se destacar em meio a um cenário de crise, mas para sobreviver. É preciso melhorar a eficiência para fazer mais consumindo menos.
(*) Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional

Com medo de ter sua vida devassada, Magno Malta deixou Bolsonaro sozinho

Depois de O Globo revelar nesta quarta-feira que o senador Magno Malta (PR-ES) havia decidido não aceitar ser vice de Jair Bolsonaro, o próprio pré-candidato do PSL foi pessoalmente até o gabinete do parlamentar capixaba no Senado para cobrar explicações. “Eu vou conversar com ele agora. Por enquanto, não estou sabendo de nada” – disse Bolsonaro.

A decisão de Magno Malta de não integrar a chapa do ex-capitão do Exército e optar pela reeleição foi confirmada na manhã desta quarta pela assessoria do senador do PR. A decisão, segundo o gabinete do parlamentar, foi antecipada em entrevista ao Diário do Nordeste, na segunda-feira, durante evento na Assembleia Legislativa do Ceará, quando Malta afirmou que é “importante no Senado” e que Bolsonaro será presidente “com qualquer outro vice”.

ESCRACHADO – “Por que o vice de Bolsonaro é essa insistência que a imprensa nacional quer? Tem alguma coisa por trás disso. É o cara botar o pescoço de fora e começar a ser escrachado antes da hora? O que tenho perguntado é o seguinte: será que para a sociedade, para as famílias, a minha luta em defesa das crianças, será que vale a pena eu ficar calado? Digo para ele (Bolsonaro): vocé é presidente sem mim, com qualquer outro vice. Tenho que avaliar é a minha importância, e, na minha cabeça, sou importante é no Senado”, disse Malta, segundo o Diário do Nordeste.

Ao tentar cobrar informações de Magno Malta, Bolsonaro foi informado pela atendente do gabinete que o senador não estava no local. O deputado do PSL disse que o senador havia prometido lhe dar a palavra final no dia 15 de julho. Visivelmente descontente, ele tratou de diminuir a decisão de Malta dizendo que não tinha “problema nenhum” na desistência.

SEM PROBLEMA – Ele não tinha nenhum compromisso de ser. A bola estava com ele. Pode ser que não venha. Não tem problema nenhum – disse Bolsonaro ao Globo, às 14h40 desta quarta-feira, antes de sair mais uma vez pelos corredores do Senado atrás de Magno Malta.

“Nós nunca podemos ser surpreendidos. Ele pode ter tomado a decisão. Hoje de manhã eu desliguei o telefone. Talvez antes de dar essa informação (de desistência), ele tenha tentado falar comigo” – disse Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ficou claro que Malta tomou a decisão vários dias atrás e não comunicou a Bolsonaro, uma tremenda deslealdade. Conforme já noticiamos aqui na Tribuna, Magno Malto tinha medo de ter sua vida devassada pelos adversários de Bolsonaro. Além disso, tem dúvidas de que o candidato do PSL realmente ganhe o segundo turno. (C.N.).

Patrick Camporez – O Globo

Crise do Poder Judiciário representa um risco real ao regime democrático

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

José Casado
O Globo

Chegou-se ao extremo da excentricidade. Leis e normas não faltam, há cerca de seis milhões em vigor balizando a conduta de cada brasileiro. Porém, já não existe segurança jurídica. A decisão do juiz Rogério Favreto, no plantão dominical no tribunal federal de Porto Alegre, desnudou uma crise no Judiciário brasileiro.

Ela apresenta um risco real ao regime democrático. Entre outras razões porque liquefaz a confiabilidade no funcionamento do sistema judicial, cuja credibilidade já estava corroída por um histórico de confusões éticas combinado a um alto e ainda obscuro custo operacional, com baixo rendimento para a sociedade.

SEM LIMITES – O confronto aberto no tribunal federal de Porto Alegre extrapola os limites do Judiciário, que, até hoje, se mostra incapaz de se autorregular sobre a participação de juízes em casos nos quais tenham interesse direto. Justiça “impessoal” é o que prescreve a Constituição, mas ontem a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, sentiu-se obrigada a divulgar nota relembrando esse princípio da ética judicial.

Espelhando-se em procedimentos agora rotineiros no Supremo, onde a palavra final e colegiada perdeu validade para a decisão intermediária, liminar e solitária, Favreto produziu um despacho dominical com duplo sentido.

Moveu-se, primeiro, pelo resgaste de um político que cumpre sentença de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, já confirmada em três instâncias judiciais superiores.

CANDIDATURA – Favreto atropelou todo mundo — nas varas criminais, no tribunal federal, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Ao mesmo tempo, reabilitou um antigo companheiro de duas décadas de militância no Partido dos Trabalhadores para a disputa pela Presidência da República. Aceitou o argumento de que Lula é o “principal pré-candidato ao próximo pleito eleitoral”.

Teve o seu ato cassado pela cúpula do tribunal no início da noite. Lula continua a cumprir sua sentença, com a propaganda da sua candidatura virtual revigorada com auxílio do antigo companheiro de partido.

SEQUELAS CORROSIVAS – O tratamento privilegiado permitido em seu caso demonstra que o Brasil ainda é um país onde alguns são mais iguais do que outros. Atrás das grades permanecem outros 221 mil homens e mulheres (34% do total). A diferença é que são “presos provisórios”, sem julgamento, sem sentença. Sobre eles, durante o último ano, não se viu uma única iniciativa emergencial de juízes. Nem se ouviu uma só palavra de solidariedade do PT de Lula ou de qualquer outro partido político.

O efeito Favreto deixa sequelas visíveis e corrosivas para todos. Sobretudo para o Poder Judiciário, cada dia mais exposto como fonte de insegurança e de instabilidade institucional.

Obras malfeitas

Por: Arimatéia Azevedo

Alguém perguntou a um secretário de Estado se seria de sua pasta a obra de asfalto esfarelado, recentemente inaugurada com pompa e circunstância pelo governador Wellington Dias, em São Raimundo Nonato. Pronta resposta do zeloso gestor: “se fosse de nossa secretaria, primeiro eu daria um tapa no responsável por este setor, segundo, o demitiria e, por fim, evitaria que a rodovia fosse inaugurada para evitar constrangimento ao meu chefe”. Auxiliar desse naipe, parece ser difícil de ser encontrado na atual gestão, porque, a impressão que se tirou desse fato foi que o pessoal do setor de engenharia da Secretaria de Transportes, bem como seu secretário, ficaram míopes para a péssima qualidade do serviço, que custou mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos, como deixaram o chefe do governo e seus convidados metidos num baita constrangimento. Não demorou horas da inauguração de uma estrada asfaltada em São Raimundo Nonato para que a pouca vergonha viralizasse nas redes sociais, expondo um problema sério: de que tem gente na gestão pouco se importando com os resultados, com o uso do dinheiro do contribuinte que lhes paga os salários e muito menos com a imagem do próprio chefe. Além da espessura do asfalto ser questionável, a mão de obra mostra-se emporcalhada, ainda que a construtora responsável tenha emitido nota à coluna dizendo que “o pavimento se trata de um TSD (Tratamento Superficial Duplo) e que demanda um tempo de cura para varrer e tirar os excessos”. Esses excessos citados devem ser tão-somente excessos de descuidos. Acredita-se que se houvesse uma pronta resposta, principalmente para a opinião pública ficar informada, da parte dos órgãos de fiscalização e controle, casos desse tipo não ocorreriam.

Wellington Dias limpa a área

Por: Zózimo Tavares

O governador Wellington Dias avança em seu projeto de engenharia política para as eleições de 2018. Ele começou a limpar a área para montar a chapa majoritária.

Primeiro, manteve no banco de reservas o PTB, que andou sonhando em indicar a deputada Janaína Marques para a vaga de candidato a vice. O governador deixou claro que o partido só tinha cacife para bancar tal reivindicação se o nome indicado fosse o do ex-senador João Vicente Claudino. Este, por sua vez, preferiu manter a distância regulamentar do governo.

Margarete sobra

No lance seguinte, Wellington Dias tirou de campo o Progressistas, hoje o seu principal e mais importante aliado. A vice-governadora Margarete Coelho foi comunicada que não havia espaço para ela ser candidata à reeleição.

O argumento usado, segundo ela, foi o de que cada partido só teria direito a indicar um candidato na chapa majoritária. O Progressistas fez a opção, naturalmente, pelo nome de seu presidente nacional, senador Ciro Nogueira, candidato à reeleição.

Banho-maria

Era de se esperar que, na jogada seguinte, Wellington confirmasse a vaga de vice para o MDB, que a reivindica desde que entrou no governo. O governador, porém, está cozinhando o galo. E em fogo brando.

Ele não veta o nome do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho, como seu companheiro de chapa, mas não move uma palha para sacramentá-lo.

Pelo contrário, agora o governador dá uma bicuda na bola, ao chamar para o centro do campo o presidente regional do MDB, deputado federal Marcelo Castro, incluindo o nome dele na relação dos pré-candidatos a senador. Se essa ideia vingar, o MDB perde a vaga de vice.

Carta na manga

Essa movimentação do governador dá a entender que ele tem outro nome na cartola para a vice, mas o mantém a sete chaves. Há quem enxergue, no entanto, a senadora Regina Sousa como a preferida dele para essa posição.

Para tanto, ele teria que quebrar a regra criada por ele mesmo de um candidato para cada partido na chapa majoritária. Não seria um problema intransponível. Entre os aliados, a fidelidade ao governador é tanta que eles são capazes até de engolir gol contra e sair para o abraço, comemorando.

Fachin bateu palma para defesa de Lula dançar

Por: Josias de Souza

A defesa de Lula não dá sorte com magistrados paranaenses. Em Curitiba, esbarrou no estilo sanguíneo de Sergio Moro. Em Brasília, topou com o método cirúrgico de Edson Fachin. Aplicou contra Fachin a mesma tática de guerrilha judicial empregada contra Moro. Consiste num excesso de litigância que beira a má-fé. Tratado como magistrado que cerceia advogados, Fachin passou menos recibo do que Moro. E marcou dois gols em menos de uma semana. Num, expôs a fragilidade da defesa do principal preso da Lava Jato. Noutro, manteve Lula na tranca pelo menos até agosto.

Para azar de Lula, Fachin é uma discreta criatura. Sem vida social, costuma levar trabalho para casa. Aplicado, esteve sempre um lance na frente dos doutores. Desarmou a primeira jogada ao farejar o surto libertário que tomou conta da Segunda Turma do Supremo, a qual integra na condição de minoritário crônico.

Com antecedência premonitória, Fachin retirou o recurso de Lula da pauta de uma sessão avassaladora. Nela, a trinca Toffoli-Gilmar-Lewandowski anulou provas contra um petista (Paulo Bernardo), suspendeu ação penal contra um tucano (Fernando Capez), manteve solto um lobista ligado ao MDB (Milton Lyra) e abriu duas celas: a do petista José Dirceu e a do ex-tesoureiro do PP João Claudio Genu.

Antecipando-se a um pedido da defesa para a recolocação do “Lula livre” na agenda da segundona, Fachin enviou a encrenca para o plenário da Corte. Com um movimento de caneta, tirou da jogada Toffoli, Gilmar e Lewandowski. E deixou zonza a defesa. Quando os doutores protocolaram uma reclamação requerendo a troca de relator, o sorteio foi feito no plenário geral, não no Jardim do Éden da Segunda Turma.

Por obra e graça dos deuses do acaso, o sorteio enviou a reclamação da defesa para a mesa de Alexandre de Moraes, que chegou ao Supremo por indicação de Michel Temer. Os doutores alegavam que Fachin violara o princípio do juiz natural ao retirar o recurso de Lula da Segunda Turma. E Moraes: ”Inexistiu qualquer violação ao princípio do juiz natural, pois a competência constitucional é desta Suprema Corte, que tanto atua por meio de decisões individuais de seus membros, como por atos colegiados de suas turmas ou de seu órgão máximo, o plenário.”

A reclamação desceu ao arquivo sem que Moraes precisasse decidir sobre o pedido de liminar para que Lula fosse libertado imediatamente. Esse assunto volta à alçada de Fachin. Com um detalhe: o relator da Lava Jato cuidou de iluminar uma dobra do recurso que a defesa preferia manter invisível.

Está em jogo, além da libertação do preso, sua inelegibilidade, realçou Fachin no ofício em que encaminhou a matéria ao plenário. Os advogados tentam desconversar. Renegando a própria petição, alegam que nunca trataram de questões eleitorais, que jamais pretenderam nada além de libertar Lula. O feitiço da defesa acabou enfeitiçado. Raras vezes assistiu-se a tão poucos doutores fazendo tanta besteira em tão pouco tempo.

Sem vocação para o papel de bobo, Fachin pediu explicação sobre as segundas intenções eleitorais da defesa. No mais, afora o risco de uma bala perdida disparada por um dos libertadores do Supremo —disparo que nem Gilmar Mendesparece disposto a dar— Lula permanecerá preso pelo menos até que Cármen Lúcia decida pautar o julgamento do recurso no plenário. Algo que não ocorrerá antes de agosto. Com método, Fachin passou a última semana antes do recesso de julho batendo palma para a defesa de Lula dançar.

Minas terá uma campanha divertida, com participação especial de Dilma Rousseff

Com criatividade, Dilma é sempre um show à parte

Jonathas Cotrim
Estadão

A presidente cassada Dilma Rousseff (PT) confirmou nesta quinta-feira, 28, que irá se candidatar ao Senado por Minas Gerais nas eleições 2018. Essa foi a primeira vez que petista falou como pré-candidata desde que transferiu, em abril, o domicílio eleitoral para o Estado onde nasceu.

“Eu não vou me furtar a participar de uma luta que eu julgava que não mais iria ter uma participação ativa, do ponto de vista eleitoral”, disse a petista, argumentando que a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, teve bastante peso na decisão. 

PRÉ-CAMPANHA – Dilma se reuniu no começo da noite com a bancada estadual e federal do PT, além de outras lideranças do partido, incluindo o governador Fernando Pimentel (PT). A conversa foi fechada para a imprensa, mas a presidente do diretório estadual do partido, Cida de Jesus, afirmou que foram discutidos os primeiros passos da pré-campanha. Na próxima semana, a legenda deve começar a organizar a agenda e as propostas que serão apresentadas pela ex-presidente.

Sobre as críticas que recebeu de adversários pelo fato de não morar em Minas, Dilma disse que não saiu de seu Estado natal porque quis. “Podem falar o que quiserem, eu nasci aqui. Eu não saí daqui porque quis. Saí porque fui perseguida pela ditadura militar”, afirmou, justificando que Minas Gerais seria palco de um novo enfrentamento “entre dois projetos de governo”.  

AJUDAR PIMENTEL – O deputado federal Durval Ângelo (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa, acredita que a disputa eleitoral em Minas Gerais será nacionalizada e que a presença de Dilma Rousseff no cenário poderá ajudar a candidatura à reeleição do governador Fernando Pimentel.

“A presença dela vai trazer a questão do golpe e da violação de princípios democráticos. O candidato que quiser centrar na crise do Estado, que é uma crise generalizada em todos os Estados, vai perder o bonde da história”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Pelo menos os mineiros vão ter uma campanha eleitoral divertida. Ver Dilma em ação, fazendo aqueles improvisos fabulosos, é sempre garantia de humor e criatividade. Como diziam os romanos, o povo precisa de pão e circo. (C.N.)

Em busca do voto feminino, Ciro quer reverter sua imagem de machista

Patricia Pillar vai gravar mensagem de apoio 

Gustavo Uribe
Folha

Em esforço para melhorar seu desempenho eleitoral junto às mulheres, o pré-candidato do PDT à sucessão presidencial, Ciro Gomes, adotará estratégia para tentar desconstruir crítica de que seja machista. A ideia da equipe de campanha é de se antecipar a prováveis ataques de adversários, criando uma espécie de vacina eleitoral a declaração feita pelo presidenciável na disputa eleitoral de 2002.

Na época, perguntado pela imprensa, o então candidato respondeu que um dos papéis na sucessão ao Palácio do Planalto de sua então mulher, a atriz Patrícia Pillar, era dormir com ele.

VIRÁ À TONA – “O episódio com certeza virá à tona porque são poucos os elementos críticos que os candidatos adversários têm contra ele”, disse Miguelina Vecchio, presidente da Ação da Mulher Trabalhista, movimento de mulheres do PDT.

Para tentar reverter a imagem negativa, o presidenciável já disse que a declaração foi talvez “o maior erro” que cometeu na vida. Ele tem lembrado que nomeou mulheres para cargos de destaque e fez questão de lançar sua pré-candidatura no Dia Internacional da Mulher.

O desempenho eleitoral dele junto às eleitoras, contudo, continua fraco. A última pesquisa Datafolha mostrou que, na maior parte dos cenários de primeiro turno, a expectativa de voto das mulheres é quatro pontos percentuais inferior à de homens.

PONTO FRACO – Em esforço para superar o ponto fraco, a equipe de campanha pretende criar um capítulo no programa de governo para políticas de igualdade de gênero e gravar depoimentos com as ex-mulheres do presidenciável: Patrícia Pillar e a ex-senadora Patrícia Saboya.

O coordenador da campanha eleitoral e irmão do presidenciável, Cid Gomes, disse que buscará ambas. “As duas falam muito bem dele e dizem que ele não tem nada de machista. Ele é um homem de mentalidade moderna e de respeito às mulheres”, disse.

Em entrevista recente, Pillar saiu em defesa de Ciro. Ela disse que ele nunca foi machista e não há “a menor chance” de o seu voto neste ano não ser dele.

ESTILO DURO – A avaliação interna é de que um depoimento televisivo da atriz poderá minimizar o impacto do episódio e suavizar a imagem de Ciro. O estilo duro dele é apontado também pela equipe de campanha como uma das causas da resistência das eleitoras.

Além de acenar com a possibilidade de que metade da equipe ministerial seja formada por mulheres, o programa de governo deve propor políticas de combate à violência doméstica e de compensação pela diferença salarial entre homens e mulheres.

“Se forem abertas vagas de trabalho, por exemplo, é possível contratar aquelas que chefiam famílias, melhorando o ingresso e buscando equidade”, disse Miguelina Vecchio.

OLHAR FEMININO – Na avaliação dela, se a campanha do pedetista não tiver um olhar para as questões femininas, ele não ganhará a disputa eleitoral. “Até porque ele está pior exatamente nas mulheres de baixa renda”, afirmou.

No início de julho, o presidenciável discutirá propostas para as mulheres em um encontro com quadros femininos do partido. A equipe de campanha discute também colocar depoimentos de eleitoras de todo o país no horário eleitoral gratuito.

Além das mulheres, Ciro tem apresentado um desempenho mais fraco junto a eleitores jovens, com idade inferior a 25 anos. Para superar a barreira eleitoral, está sendo discutido um encontro dele com influenciadores digitais. A intenção é entrar em contato com celebridades famosas entre o público jovem para que elas façam referência nas redes sociais. Na lista, estão, por exemplo, o cantor Wesley Safadão e o comediante Whindersson Nunes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Outro candidato que sofre restrições das mulheres é Jair Bolsonaro. Ele e Ciro Gomes têm uma característica comum: ambos são autocarburantes. A qualquer momento eles podem abrir a boca, falar uma bobagem e pegar fogo sozinhos. (C.N.)

Paixão pelo futebol é similar ao amor romântico, afirmam cientistas

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Coimbra, em Portugal, provou o que boa parte dos fãs de futebol já suspeitava: a paixão despertada pelo esporte é similar ao sentimento de uma pessoa que vive um amor romântico. Após três anos de pesquisa, os cientistas Catarina Duarte, Miguel Castelo-Branco e Ricardo Cayolla comprovaram que os circuitos cerebrais que são ativados nos torcedores de futebol são os mesmos que nas pessoas apaixonadas, segundo comunicado divulgado pela universidade portuguesa.Castelo-Branco disse à Agência Efe nesta segunda-feira que, diante de situações de emoções positivas, como um gol, uma boa jogada ou um bom resultado, são ativadas regiões similares do cérebro – o córtex frontal – onde é liberada a dopamina, que dá uma sensação de recompensa.

No estudo, publicado recentemente na “SCAN”, uma das revistas de neurociências mais prestigiadas do mundo, os cientistas portugueses trabalharam com duas mulheres e 54 homens de entre 21 e 60 anos, a maioria torcedores do Porto e do Académica. “Pudemos comprovar que os sistemas neuronais que são ativados são muito semelhantes ao do amor romântico”, destacou Castelo-Branco. Inclusive, ainda de acordo com o pesquisador, a amídala cerebral, que regula as emoções, é ativada mais vezes nos torcedores que nas pessoas que vivem o amor romântico ou de casal.

“A paixão tende a prevalecer sobre os conteúdos mais negativos como, por exemplo, a derrota contra um rival, já que as experiências menos desejadas tendem a ser suprimidas da memória emocional”, explicou. O estudo sobre pessoas que praticam o que, em teoria, é um amor trivial, em grupo, será implementada nos próximos dois anos com uma nova pesquisa. Nesse segundo passo, será medido o grau de paixão, para ver como essa forma de amor compete com o romântico. “Submeteremos os torcedores de futebol a dilemas em que, por exemplo, terão de escolher entre ir apenas a jogos de futebol ou ir com o namorado ou namorada para ver um filme no cinema”, revelou Castelo-Branco. O cientista salientou que, assim como no amor romântico, a paixão pelo futebol pode se tornar uma obsessão e prejudicar o comportamento racional, passando ao grau de fanatismo.

Fonte: Revista Exame

A segunda morte de São João foi  na Parnaíba.

 

 * Pádua Marques.     

 

Agora que junho está no fim e o São João da Parnaíba está morto e enterrado, digo como o finado colega meu, “do alto dessas sinagogas que ninguém há de abalar e nenhum acontecido há de fazer tremer”, fico olhando a que ponto nós chegamos com o mês mais alegre do ano depois do Natal.  Assim brincando esse pessoal que está aí acabou acabando com o São João da Parnaíba.

É que desde o ano passado o prefeito Mão Santa resolveu desprezar toda a estrutura do Quadrilhódromo e as quadrilhas e o bumba-meu-boi agora passaram a se exibir nos bairros. É uma decisão que vai contra todos os princípios de quem entende de festas populares e sua relação com o turismo. Pra quem deseja atrelar o folclore à atividade produtiva e assim formar capital ele está conseguindo fazer o contrário.

O São João da Parnaíba, que a muito custo alcançou relevo e projeção fora do Piauí, agora está fadado ao fim com as apresentações em escolas e meio de rua na periferia, lá no Deus me livre, pra lá do caixa-pregos, para ele Mão Santa, alguns poucos assessores e menos ainda uns poucos moradores que não gostam de novela. Nada contra quem mora em bairros afastados.

Mas até agora ninguém sabe ao certo se essa morte anunciada do São João da Parnaíba foi coisa dele Mão Santa ou se saída da cabeça de bagre de algum assessor, desses de conveniência, sem opinião própria e que ajudariam e muito se permanecessem calados ou estudassem mais, viajassem mais e vissem como se produz riqueza com a cultura quando se juntam o folclore e o turismo.

Assessores pagos pra balançar a cabeça. Esse pessoal esquece que o São João da Parnaíba só é o que é hoje, devido à persistência, muito suor derramado, dinheiro, tempo, amor e audácia de gente igual o Gerivaldo Benício, o Batista do Catanduvas, o Liberato e tantos outros que fizeram, levaram anos e mais anos e muito e tudo pra que esta festa chegasse ao nível que chegou.

Em outro tempo nossas quadrilhas ganharam prémios dentro e fora do Piauí, divulgaram nossas potencialidades turísticas, históricas, gastronômicas e outras riquezas nossas. Agora o São João da Parnaíba, disperso, assistido por poucos, escondendo a cabeça, feito cachorro com medo de foguete, está correndo o risco de dentro em pouco acabar de vez. Mas eu acho que a ideia desse pessoal, a intenção principal seja essa mesmo. Eles têm consciência de que estão fazendo a coisa errada, mas continuam fazendo!

Dá pra imaginar o prefeito do Rio, Marcelo Crivela, depois de tudo o que o carnaval representa pro Brasil, na visibilidade e geração de riquezas, decidir que os desfiles sejam realizados nos bairros, tipo Cascadura, Meier, Bonsucesso, Ramos, Madureira, Nova Iguaçu, Japeri, Queimados? Qual é o turista que vai se atrever a ir à periferia, andando feito besta pra ver as escolas de samba? É preciso que estes assessores de Mão Santa entendam e digam pra ele uma coisa: certas coisas não podem ser mudadas de lugar porque se acabam. *Pádua Marques, jornalista, membro da Academia Parnaibana de Letras, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba, da Academia de Letras da Região de Sete Cidades, entre outras entidades culturais.

 

Quem ganha com o lucro dos bancos, além dos bancos?

*Clemente Ganz Lúcio

Desde 2014, a economia brasileira enfrenta recessão, com sérios impactos sobre o mercado de trabalho: elevação do desemprego, crescimento da informalidade e redução dos salários. Para piorar, a lei da terceirização, aprovada em março, e a reforma trabalhista, em vigor desde novembro, permitiram a precarização do trabalho. Na outra ponta, as altas taxas de juros, mesmo em queda, em nenhum momento, estimularam o crédito e o investimento produtivo. Neste cenário, os lucros dos cinco maiores bancos do Brasil, mais uma vez, bateram recordes em 2017. Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Santander somaram lucro de R$ 77,4 bilhões, 33,5% a mais do que em 2016.

Esses resultados se devem, entre outros fatores, à elevação das receitas com tarifas e serviços e, especialmente, à queda nas despesas de captação, que acompanharam o movimento de redução da taxa básica de juros (Selic). Também caíram as despesas com impostos (IR e CSLL), em parte devido à entrada de créditos tributários, mas também em função de resultados inferiores em termos operacionais e da intermediação financeira, conforme pode ser observado no estudo Desempenho dos Bancos, divulgado pelo DIEESE em maio e disponível no site da entidade (www.dieese.org.br).

Nada a se comemorar, uma vez que, mesmo com todos os ganhos, os bancos fecharam muitos postos de trabalho e implantaram tecnologia intensiva em capital, abrindo mão de boa parte do trabalho humano. Em 2017, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e Caixa, juntos, fecharam 1.315 agências bancárias. Com relação ao emprego no setor, desde 2012, cai continuamente o número de trabalhadores. Entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017, o total de empregados nas cinco maiores instituições financeiras passou de 432.644 para 418.564 pessoas. Isso significou, que, em média, 1.000 trabalhadores foram demitidos por mês, anualmente.

Isso sem falar na rotatividade dos empregos no setor, usada para baratear o custo do trabalho, com empregados sendo admitidos por salários inferiores aos dos demitidos.

E para quem vai esse lucro todos dos bancos? Quem ganha com esse resultado? Com certeza, não é a maioria da sociedade brasileira. Além de jogar para a mão dos clientes a realização de serviços antes feitos pelos trabalhadores do setor, cobrar tarifas e enxugar custos, os bancos fazem com que uma parcela pequena de acionistas se aproprie de um dinheiro que não se materializa em investimentos produtivos, empregos e desenvolvimento. Apesar do expressivo aumento nos lucros, os cinco maiores bancos do país fizeram o desserviço de aumentar a taxa de desemprego mensal, contribuindo para redução da massa salarial.

*Clemente Ganz Lúcio é  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização 

Por que as pessoas se matam tanto?

Por: Bernardo Silva

Eis um assunto pelo qual poucos se interessam, não obstante o crescente número de suicidas mundo à fora. Mas, o que é que leva mesmo tantas pessoas a se suicidarem? E por que não se falar de mais este que é um problema de saúde pública neste país? Ah, mas quem é mesmo que está preocupado com o bem estar do outro?

Pra mim, problema é para ser resolvido, superado. Quando a depressão chega a gente mata no peito, sacode as pulgas e segue em frente. Sim, eu creio em Deus – o todo Poderoso. Creio que a vida não é só isso aqui. A vida é eterna. Ela existe após a morte, até porque Deus não faria de sua mais perfeita criação, o ser humano, uma coisa qualquer que se acaba, a qualquer instante, para ser enterrada e em poucos dias virar lama, debaixo da terra.

Deus nos deu a vida para ser vivida, em sua a sua essência. E todos estamos na terra é para sofrer. A felicidade plena, que muitos imaginam e buscam aqui na terra, só existe no plano espiritual para ser conquistada, com ações de caridade, indulgência, perdão, justiça. O sofrimento, quando vem, tem uma razão de ser e Deus quer que saibamos disso. Ele é justo. Quer que soframos nossas dores aqui na terra, com abnegação, para podermos ter as alegrias do paraíso quando deixarmos este corpo, que nada mais é do que  envoltório de carne do espírito.

O cantor Cazuza diz em uma de suas músicas: “somos iguais em desgraça”. E é verdade. O que nos faz morarmos todos juntos neste planeta, como irmãos,  são os nossos erros. Nossos pecados de tantas e tantas vidas de desacertos. Por isso eu quero viver muito, aqui na terra. Para sofrer, chorar, refletir sobre minhas faltas e tentar corrigi-las. Por que tirar uma vida que não é minha? Deus me deu como dádiva! E por isso eu O agradeço.

Sobre o assunto desta semana a revista Veja traz uma matéria com número alarmantes, cuja leitura sugerimos:

E que tomemos alguma atitude. Não esperar por autoridades que não estão nem aí. E que atitude?  Rezar a Deus pelos fracos, pelos ignorantes, pelos depressivos e fazer algo por eles, no sentido de que entendam a beleza da vida. Aliás, como tudo o  que  Deus criou. É só olhar o que há de grandioso no universo funcionando em harmonia. Se alguma coisa danosa acontece, pode ir atrás que teve a mão do homem. Sem se falar na natureza, no canto dos pássaros, na beleza das flores, no barulho das águas do riacho.

Diga para as pessoas que se suicidar é um ato de puro egoísmo. O suicida termina por matar também a vida de sua família e de seus amigos. Reflita sobre o texto abaixo:

Qual é a maior dor?

Você já pensou nisso?

Um jovem deixou um bilhete aos familiares, pouco antes de cometer suicídio, e expressou no papel o que estava sentindo. Disse ele que a maior dor na vida não é morrer, mas ser ignorado. É perder alguém que nos amava e que deixou de se importar conosco. É ser deixado de lado por quem tanto nos apoiava e constatar que esse é o resultado da nossa negligência.

A maior dor na vida não é morrer, mas ser esquecido. É ficar sem um cumprimento após uma grande conquista. É não ter um amigo telefonando só para dizer Olá. É ver a indiferença num rosto quando abrimos nosso coração. O que muito dói na vida é ver aqueles que foram nossos amigos, sempre muito ocupados quando precisamos de alguém para nos consolar e nos ajudar a reerguer o nosso ânimo. É quando parece que nas aflições estamos sozinhos com as nossas tristezas. Muitas dores nos afetam, mas isso pode parecer mais leve quando alguém nos dá atenção.

É bem possível que esse jovem tenha tido seus motivos para escrever o que escreveu. Todavia, em nenhum momento deve ter pensado naqueles que o rodeavam.

Se pudesse sentir a dor de um coração de mãe dilacerado ante o corpo sem vida do filho amado…  Se pudesse experimentar o sofrimento de um pai que tenta, em vão, saber do filho morto o que o levou a tamanho desatino…

Se sentisse o desespero de um irmão que busca resposta nos lábios imóveis do ser que lhe compartilhou a infância… Se pudesse suportar, ainda que por instantes, a dor de um amigo sincero a contemplar seus lábios emudecidos no caixão, certamente mudaria seu conceito sobre a maior dor.

Descobrir qual a maior dor é muito difícil. Mas a maior decepção é fácil de deduzir. É daqueles que se suicidam pensando que extinguirão a vida e com ela todos os problemas. Esses saem do corpo mas, indubitavelmente, não saem da vida e, muito menos, acabam com os problemas.

Portanto, por mais difícil que esteja a situação, nunca vale a pena buscar essa porta falsa chamada suicídio. É importante lembrar sempre:por mais escura e longa que seja a noite, o sol sempre volta a brilhar. E por mais que pensemos estar na solidão, temos sempre conosco um amigo fiel e dedicado que jamais nos abandona: JESUS.

 

Servidor Público: Ganhou, mas não levou

Por:Zózimo Tavares

Várias categorias de servidores públicos estaduais ganharam, mas não levaram, os reajustes salariais concedidos este ano.

O governador Wellington Dias mandou projeto de lei para a Assembleia Legislativa propondo correção salarial para várias categorias.

Entre elas, está o magistério (6,81% – piso do professor – duas parcelas).

E mais 

Foram contemplados com mais 3,95% servidores da Secretaria de Educação, policiais militares, bombeiros militares, policiais civis, agentes penitenciários e procuradores do Estado. E o Ministério Público com 4,5%.

A Assembleia aprovou tudo, como o governo pediu.

Veto e derrubada

Acontece que o governador vetou todos os reajustes que ele mesmo propôs.

Ele justificou o veto alegando que, “em virtude do calendário eleitoral, é vedado fazer na circunscrição do pleito revisão geral da renumeração dos servidores públicos que exceda recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição a partir dos 180 dias que antecedem o pleito até a posse dos eleitos”.

Num fato inédito no atual governo, a Assembleia derrubou os vetos, por entender que não se tratava de aumento salarial, mas de reposição da inflação do período, o que a lei autoriza.

Devolução

O projeto foi novamente encaminhado para o governador, que o devolveu outra vez para ser promulgado pelo presidente da Assembleia Legislativa.

Por sua vez, o presidente da Assembleia, deputado Themístocles Filho, negou-se a promulgar a lei.

E até deu uma declaração enigmática: “Quem ama não mata”

Impedimento

Themístocles justificou: se o governador não pode sancionar por que está impedido pela legislação eleitoral, pois é candidato à reeleição, ele também não pode, já que também é candidato.

E despachou o caso para a procuradoria jurídica da Assembleia, para que ela se manifeste.

Rabo de cavalo

Por:Arimatéia Azevedo

Três grandes obras para aproveitar o potencial hídrico do Piauí estão paradas: as segundas etapas dos Platôs de Guadalupe, Tabuleiros Litorâneos e Marrecas. Com 70% das obras concluídas, a ativação das áreas irrigadas poderia somar mais de 10 mil hectares. Por baixo, seriam gerados 25 mil empregos diretos e pelo menos outros 25 mil postos de trabalho decorrente de atividades econômicas favorecidas pela produção de frutas em escala comercial. Ocorre, no entanto, que a burocracia misturada com problemas judiciais faz com que a infraestrutura necessária à ativação de novas áreas irrigadas siga parada e sem um horizonte para ativação. O caso dos projetos Tabuleiros e Platôs descamba para uma situação kafkiana: embora não haja um fio de suspeita sobre a atuação da Odebrecht nas duas obras, o envolvimento da empreiteira baiana em escândalos sistêmicos fez com que a onda avassaladora de investigação paralisasse uma atividade de construção cuja conclusão resultaria em um boom localizado de desenvolvimento econômico em Guadalupe e Parnaíba. No caso de Marrecas, a obra parou por falta de recursos, ausência de uma modelagem de ocupação do perímetro e desinteresse político para fazer a engrenagem da burocracia soltar o dinheiro para seguir com o serviço. Nos três casos, o Piauí sai perdedor.

Cambota e Fogoió, os dois meninos.

 

 

Eles foram o terror do bairro onde moravam quando crianças e já engrossando o talo da pinta continuaram dando trabalho a todo mundo e vergonha aos pais. Nessa época de São João, naquele tempo, eles se danavam a correr numa venda pra comprar toda sorte de fogos, desde os inocentes peidos de velha às terríveis e poderosas bombas de quinhentos, capazes de levantar por mais de vinte metros uma lata de querosene.

Cambota foi criado cheio de vontades pelo pai porque nem a mãe aguentou as peraltices dele. Filho único de um quitandeiro, se esteve algum dia à escola foi somente pra bater nos outros e no segundo dia de aula ser expulso. O pai achava de dizer que ninguém precisava estudar pra ganhar dinheiro. Ele mesmo tinha tudo e nunca passou um dia sequer sentado em banco de escola. Tinha dinheiro na burra e muitos burros lhe obedecendo.

O menino se criou sozinho feito bicho bruto, batendo e apanhando na rua e quando era contrariado se armava de um caco de vidro e corria a rua pra tomar satisfações com o desafeto. Nesse período de festas juninas ia ele direto na gaveta da quitanda, tirava o apurado e ia até a esquina comprar traques e bombas. Negócio dele era bomba, daquelas mais potentes e que incomodavam a vizinhança. Noite toda.

Era um menino feio, baixo, gordo, cambota, cabelo raspado, calção imundo, fedendo a pena de galinha molhada. Mesmo tendo todos esses defeitos não era desrespeitoso com os mais velhos. Algum adulto ralhasse com ele, metia o rabo entre as pernas e procurava o caminho de casa.

Agora Fogoió. Fogoió Azedo como outros e muitos o chamavam pelas costas. Galalau. Também foi um menino criado por uma mãe e um pai que faziam tudo aquilo que ele queria. Os vizinhos, quando ele era ainda criança, passaram poucas e boas com as travessuras dele. Assim como Cambota, nessa época de São João, transformava a vida do bairro onde morava num inferno.

Toda a cidade temia pelo que poderia acontecer quando aqueles dois maus elementos um dia se encontrassem. Aí o diabo iria sair da garrafa por cima ou por baixo. E este dia aconteceu num dia de junho. Colocaram o mundo de cabeça pra baixo e tocaram fogo. Amarraram traques em rabo de cachorros, soltaram bombas debaixo de latas e dentro de garrafas e explodiram até o muro da igreja. Coisa pouca pra eles.

Este Fogoió Azedo, nunca foi cria de gente. Criado sim à imagem e semelhança do cão. Quando adulto se transformou num grande negociante, cheio de enrolada, venda de tudo em quanto achasse pela frente. Vendia e trocava de tudo, desde geladeira velha, bateria de carros, pneus, móveis antigos, moedas, terrenos, material de construção, vergalhão, madeira e se bestasse, até arma de fogo, tudo. Esta semana passada eu vi dois sujeitos parecidos se cumprimentando na televisão, Trump e Kin-Jong Un. Meteu medo. * Pádua Marques, jornalista, escritor, membro da Academia Parnaibana de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba. 

Mais educação para menos corrupção

Por: Janguiê Diniz(*)

A corrupção é, de longe, uma das piores “doenças” que afetam a sociedade. Assim como um câncer, pode se espalhar por diversos setores de qualquer país. Por vezes, seus efeitos não são sentidos imediatamente, mas é certo que os custos chegam no longo prazo, com reflexos sobre o fornecimento e a qualidade de serviços públicos essenciais.

Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes indicam que o dinheiro gasto anualmente com corrupção no mundo poderia alimentar oitenta vezes a população faminta. Propinas e roubos aumentam em 40% o custo de projetos para oferecer água potável e saneamento em todo o mundo – porque sim, até em áreas como essas, tão sensíveis, há quem consiga roubar.

É certo que a corrupção sempre existiu, afetando negativamente as políticas públicas e o crescimento econômico do país. O que varia são as consequências – para o corrupto e para a sociedade em que ele vive. Pesquisa divulgada em abril de 2018, intitulada “Retratos da Sociedade Brasileira – Educação Básica”, mostrou que a população vê uma relação direta entre a baixa qualidade do sistema educacional nacional com a corrupção. Segundo o estudo, 60% dos brasileiros apontam o baixo nível educacional como causa da corrupção. Essa visão é mais forte na faixa etária jovem, dos 16 aos 24 anos – nesse grupo, 70% dos entrevistados fez a correlação entre falta de educação e corrupção.

Já segundo análise de 2017 da ONG Transparência Internacional sobre o Índice de Percepção da Corrupção, que classifica os países com base em quão corrupto seu setor público é percebido, o Brasil ficou no 96º lugar dos 180 países avaliados, empatado com países como Colômbia e Zâmbia. A pontuação indica o nível de percepção da corrupção em uma escala de 0 a 100, em que quanto mais baixo o número, mais o país é percebido como corrupto. O Brasil recebeu nota 37 no ranking, que teve Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia como os menos corruptos.

Há uma clara relação entre desigualdade e corrupção. Nas sociedades mais desiguais, é possível notar um nível maior de corrupção; enquanto que as nações mais igualitárias sofrem menos com esse mal. A Finlândia, por exemplo, possui alguns dos melhores índices de qualidade de vida, educação pública, transparência política, segurança pública, expectativa de vida, bem-estar social, liberdade econômica, prosperidade, acesso à saúde pública, paz, democracia e liberdade de imprensa do mundo. As cidades do país também estão entre as mais habitáveis do mundo, figurando entre as mais limpas, seguras e organizadas.

Voltando à corrupção, agora focando no setor de educação, ela é capaz de limitar a acumulação de capital humano e, a longo prazo, afetar todo o desenvolvimento da sociedade. O único meio conhecidamente efetivo de vencer defeitos e falhas humanas é a educação. Educar com vistas ao respeito; para que nos encaremos com igualdade, fraternidade e solidariedade. E tem que ser um processo contínuo. O resultado só virá com décadas de trabalho e esforço coletivo em prol da mudança de nossa situação atual, que não é nada animadora.

Quando algo afeta a educação de uma nação, tudo pode ser posto em cheque. Só o conhecimento nos liberta a pensar e poder gerar um debate sadio para alcançar formas de avançar. A educação é arma poderosa contra a corrupção. Só ela tem força de mudança e renovação.

É indispensável que haja investimentos sociais para mudar a realidade educacional atual do país. Para termos, de verdade, um País sério, a educação tem que ser prioridade, pois ela é a mola propulsora da cidadania. É um valor inestimável, que engrandece o homem, como ser empreendedor da economia, como ser beneficiário e benfeitor da sociedade.

É por todos esses fatores que não se pode dissociar a educação da corrupção. Uma é inversamente proporcional à outra. O Índice de Percepção de Corrupção Mundial é claro ao mostrar que os países com menores índices de educação e igualdade tendem a ter maiores taxas de corrupção. Além disso, tudo o que é construído culturalmente e não é da condição humana, como a corrupção, pode ser desconstruído. Essa é uma das missões mais importantes da educação

(*) Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direitor – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Reitor da UNAMA

Wellington Dias: Competência para administrar sua incompetência

Texto: Zózimo Tavares

Se o governo Wellington Dias fosse um aluno, sem dúvida ele ficaria para recuperação. Ele não chegou a fazer nem o dever de casa. São muitas as notas baixas de seu mandato, em diversas áreas da gestão. Poucas de suas promessas de campanha foram cumpridas. E poucas das obras que já estavam em andamento foram concluídas.

Eis alguns exemplos do fraco desempenho do governo: as escolas da rede pública enfrentam uma nova greve dos professores, porque o Estado não conseguiu pagar o novo piso do magistério, ainda que ele tenha sido parcelado em duas vezes.

Na segurança pública, o Piauí não figura entre os estados mais violentos, porém os assassinatos aumentaram 55% nos últimos cinco anos. Nessa conta não entram os assaltos sem vítimas fatais do dia a dia, as explosões de bancos nem a sensação de insegurança vivida por todos.

Na saúde, muitos hospitais continuam com pouca resolutividade no interior e alguns estão com os dias contatos para fechar, por falta de material e também de pagamento dos terceirizados. Os hospitais e clínicas credenciados pelo Plamta estão sem receber seus pagamentos há quatro meses e ameaçam suspender novamente o atendimento.

Obras inacabadas

No setor de obras públicas, o Estado não foi capaz de terminar as obras dos acessos a Teresina, pelas BRs-316 e 343; não deu andamento à rodovia Transcerrados nem concluiu, sequer, os serviços do Centro de Convenções de Teresina.

Dinheiro não faltou. Nesse período, o Piauí recebeu quase R$ 5 bilhões em empréstimos para fazer obras. Também aumentou por quatro vezes o ICMS para vários setores da economia, inclusive dos combustíveis.

Seu mérito principal concentrou-se na gestão da folha de pessoal, que não sofreu atrasos, como em outros Estados.

Um banho na oposição

A despeito de tudo isso, o governador Wellington Dias lidera com folga a pesquisa de intenção de voto realizada pelo Instituto Opinar e divulgada ontem pelo Grupo de Mídia Cidade Verde – TV, Rádio e Portal.

Ele aparece com 50% das preferências do eleitor, contra 6,75% de Luciano Nunes (PSDB) e 5,75% de Elmano Férrer (Podemos), os pré-candidatos a governador mais citados na sondagem.

O levantamento foi feito no período de 8 a 10 de junho e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o Nº 09989/2018. A margem de erro é de 2,97% para mais ou para menos. O instituto entrevistou 1.082 eleitores em 51 municípios piauienses.

Reeleição, um passeio

Em síntese, a pesquisa mostra que o governo foi muito competente para administrar a sua incompetência e a oposição muito incompetente – ou impotente – para mostrar a sua competência.

O resultado é que, a se confirmarem os números da sondagem, a reeleição do governador será um passeio, com vitória folgada ainda no primeiro turno.

Enquanto combatia veemente as iniciativas do governo federal para privatizar empresas, como a Cepisa, no Piauí o governador repassava às mãos da iniciativa privada o patrimônio do Estado, como os serviços de água e esgoto, a Ceasa e as rodoviárias de Teresina, Floriano e Picos, através de PPP’s (Parcerias Público-Privadas).